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sábado, 23 de fevereiro de 2019 - 15h58min

Suplemento Cultural

O Jogo do Bicho

23 JAN 10 - 08h:27
Setenta milhões de apostas foram registradas pela Caixa Econômica Federal no “jogo da virada do ano”, concurso 1140 da “Mega-Sena”, no último dia de 2009, em que dois apostadores dividiram uma bolada de R$145 milhões de reais. Foi o maior prêmio da história da mega, mas toda semana se arrecadam milhões de reais apostados por pessoas que se divertem fazendo uma “fezinha” e de outros que alimentam as lotéricas do governo, na esperança de melhorar de vida. O Banqueiro Governo leva a maior parte do bolo, na mega, na quina, na loto, nas teles, nas raspadinhas e outros, sem contar a “tele-sena” e o “baú” do Silvio Santos, que invadem o Brasil inteiro pelos correios e TV, caçando níqueis da população. Porém, o maior e mais antigo jogo de azar que melhor se identifica com o brasileiro, o jogo do bicho, continua subjugado pela ZEBRA da ilegalidade. Criado ainda no fim do Império, com o objetivo de salvar um zoológico no Rio de Janeiro, o bem bolado jogo do bicho tem indícios de que nunca vai acabar. O jogo, que faz parte da cultura nacional, tem uma longa história de sucesso e discriminação, por ser popular, arraigado nas camadas mais pobres da sociedade. Por falta de legalização governamental, o “jogo dos sonhos” sobrevive como GATO na clandestinidade secular e, por esse motivo, acaba atraindo CABRAS de outras atividades clandestinas e até criminosas – pecado que a própria Mega-Sena teria se também fosse proibida. A cada dia que passa, o jogo proibido cresce como ELEFANTE, fica forte como TOURO, sorrateiro como JACARÉ e escondido como AVESTRUZ. O seu status de contravenção o torna discriminado como VEADO, maltratado como CACHORRO e sem controle como VACA louca, mas enriquece intocáveis ÁGUIAS e perigosas COBRAS da jogatina, ao mesmo tempo em que transforma humildes CARNEIROS cambistas em TIGRES do submundo do crime. Nas últimas décadas, impossibilitado de acabar com o jogo do bicho, o próprio LEÃO do Governo, que não é BURRO, entrou na concorrência criando outras modalidades de jogos para atrair o COELHO do apostador, quando seria mais fácil legalizar, oficializar e controlar o tradicional jogo. Enquanto políticos PORCOS de BORBOLETAS são bancados pelo jogo proibido e por isso preferem mantêlo clandestino, no Congresso Nacional tramitam feito MACACO diversos projetos defendendo a legalização do jogo do bicho. Deputados-GALO e senadores-PAVÃO se dividem, por equívocos e interesses no PERU. Dentre os argumentos dos contrários, vigora a ideia de que “uma vez legalizado, mafiosos criariam o jogo do bicho 2”, conquanto é exatamente essa a melhor estratégia para se acabar com a máfia do jogo. A legalização levaria o apostador a jogar nas lotéricas, ficando a clandestina segunda linha totalmente fragilizada e, por conseguinte, mais fácil de combater. A questão maior não é o jogo do bicho, mas o jogo que está por trás de outras jogadas políticas de governantes e empresários, que o impedem de se igualar aos “jogos oficiais”, como as teles e a mega-sena. E enquanto o invencível jogo do bicho for considerado contravenção, todos estamos proibidos de jogar, mas não proibidos de enxergar que URSO não é CAMELO e que o CAVALO da lei é mais BURRO que a ZEBRA da legalização.
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