sábado, 21 de julho de 2018

SAÚDE

O impacto do HPV no psicológico da mulher

11 NOV 2010Por DA REDAÇÃO12h:55

O aparecimento das verrugas genitais, que são causadas pelo papilomavírus humano (HPV), causa um grande impacto na vida das mulheres, segundo estudo realizado recentemente com as pacientes do Ambulatório de Colposcopia da Santa Casa de São Paulo.

De acordo com o levantamento, a preocupação e o medo, com 69% e 66% de incidência respectivamente, são os sentimentos campeões quando o diagnóstico de HPV é revelado. Em seguida, estão raiva (31%), tristeza (28%), vergonha (24%), culpa (17%), surpresa (14%), impotência (7%) e indiferença (3%).

O estudo, realizado com 29 mulheres, de 15 a 70 anos, aponta ainda que, entre as razões para o medo, estão a possibilidade de não engravidar futuramente, de perder o útero e de contrair Aids. Quanto ao sentimento de raiva, o principal motivo é a probabilidade de ter sido infectada pelo parceiro. Outros receios são a possibilidade de passar o HPV para o filho ou de desenvolver câncer de colo do útero, que anualmente causa a morte de 270 mil mulheres no mundo e quatro mil no Brasil.

Segundo a Dra. Adriana Campaner, coordenadora do estudo, o resultado espelha o dia a dia do ambulatório. “Na prática clínica, percebemos que, em muitos casos, o impacto psicológico é maior do que o causado pela notícia do câncer de colo do útero, pois este último não é visível. Muitas pessoas não sabem, mas o HPV é a doença sexualmente transmissível (DST) mais comum e afeta 630 milhões de pessoas no planeta. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 32 milhões de novos casos de verrugas genitais são registrados no mundo a cada ano, sendo que, a cada minuto, uma pessoa irá desenvolvê-la”.

No âmbito social, a pesquisa revela que 41% apresentaram problemas na atividade sexual e apenas 49% disseram que passaram a usar preservativos em todas as relações sexuais após o diagnóstico. Entre elas, 21% relataram presença de conflito com o parceiro correlacionando a doença com infidelidade e 10% romperam seus relacionamentos afetivos por causa desse conflito.

Os valores culturais e o estilo de vida exercem grande influência no enfrentamento da doença nos aspectos que envolvem diretamente a mulher e o parceiro. “Como o HPV é uma doença de transmissão sexual, a questão da fidelidade aflora, tornando-se imprescindíveis o diálogo e o questionamento da relação do casal. O parceiro, nessa fase, a faz lembrar-se da traição, do sofrimento e da desilusão”, explica a Dra. Adriana, chefe do Ambulatório de Colposcopia da Santa Casa de São Paulo e professora da disciplina de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas da mesma instituição.

Dentro desse cenário, a prevenção é um fator-chave para evitar esse tipo de impacto na vida das mulheres. A abordagem combinada de vacinação e exames regulares – como o Papanicolau e a consulta ginecológica de rotina– são as melhores maneiras de evitar o contágio do vírus HPV, já que o uso do preservativo diminui a possibilidade de sua transmissão na relação sexual, mas não evita totalmente o contágio, bem como a sua evolução.

Sobre o HPV

A infecção por HPV, a mais comum das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), atinge mais de 630 milhões de pessoas no mundo. Os HPV tipos 6 e 11 causam aproximadamente 90% das verrugas genitais e cerca de 10% das lesões displásicas de baixo grau do colo do útero. Os HPV tipos 16 e 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero. Estima-se que esses dois tipos do vírus causem de 40% a 50% dos cânceres vulvares e 70% dos cânceres vaginais.

Todos os anos, ao redor do planeta, 500 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de colo do útero e cerca de 270 mil morrem vítimas da doença. No Brasil, mais de 18 mil novos casos são registrados a cada ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Sobre a vacina

A vacina quadrivalente contra o HPV é a única que evita o desenvolvimento das verrugas genitais, pois previne o contágio por quatro tipos do papilomavírus humano (6, 11, 16 e 18). Atualmente é indicada, no Brasil, para meninas e mulheres de 9 a 26 anos, para a prevenção de cânceres de colo do útero, de vulva e de vagina causados pelo HPV tipos 16 e 18, das verrugas genitais provocadas pelo HPV tipos 6 e 11 e das lesões pré-cancerosas ou displásicas causadas pelo HPV tipos 6, 11, 16 e 18. Os HPV tipos 16 e 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero, sendo que o HPV tipos 6 e 11 causam aproximadamente 90% das verrugas genitais e cerca de 10% das lesões displásicas de baixo grau de colo do útero.

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