domingo, 22 de julho de 2018

MÚSICA

'O fim das espécies' mistura som retrô e faz críticas

12 JAN 2011Por Thiago Andrade00h:00

De um lado bandas como Depeche Mode, Pet Shop Boys e Prodigy. Do outro, poetas e escritores como o simbolista francês Charles Baudelaire e o poeta concretista Décio Pignatari. A fusão de estilos e referências é um dos pontos altos do álbum “O fim das espécies”, produzido pelo duo Alien Sputnik, formado pelo produtor e músico Marino Filho e o professor de Literatura Alessandro Victória, corumbaenses que vivem em Campo Grande desde a década de 1990. Há 10 anos sem produção musical, os dois resolveram voltar à ativa para lançar o trabalho que reúne vertentes da música eletrônica como industrial, cyber-punk e outros.

“Eu e o Marino temos referências bastante parecidas. Quando criamos a banda, resolvemos produzir músicas influenciadas pelo som da década de 80, indo do pós-punk ao eletrônico. O resultado foi uma fita k-7 demo, que lançamos em meados de 2000”, aponta Alessandro, responsável pelas letras e vocais no projeto. Por conta da dificuldade em conciliar as agendas, a banda entrou em hiato que durou até setembro do ano passado, quando os dois se juntaram outra vez e decidiram produzir um novo disco. “Havia material que não utilizamos e produzimos novas músicas”, explica o professor.

Recheado de ironias, “O fim das espécies” trata de temas como o consumismo, a violência e a religião. “O disco tem um clima apocalíptico, estamos tratando da destruição do próprio homem por suas ações, mas de forma bastante irônica e sarcástica”, pontua o autor das letras. Versos como “Cumpra seu dever/ Ou compre seu destino”, da faixa que abre o disco, “Dicionarizar”, apontam para as referências à poesia concreta. Na primeira audição o som pode soar estranho, mas é só dar uma chance às loucuras de Alessandro e Marino para perceber que criatividade não falta ao duo.

“O som que fazemos parte de timbres retrôs para fazer críticas pesadas ao ser humano, mesmo que bem-humoradas. Herdamos isso da música punk”, define Marino. Todo o trabalho foi gravado pelo produtor em casa, “mas de forma profissional”, alerta, e “O fim das espécies” foi lançado de maneira independente. “Todo o dinheiro veio do nosso bolso, produzimos as cópias e agora estamos divulgando. Logo, logo, devem ‘pintar’ algumas apresentações ao vivo”, acredita.
Quem tiver interesse em adquirir o material, pode enviar e-mail para bukowskimorreu@gmail.com.

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