Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

Harry Potter

O começo do fim

19 NOV 2010Por Thiago Andrade00h:00

O trailer já anunciava que o que se veria em alguns meses era o fechamento do “evento cinematográfico de uma geração”. Nada mais verdadeiro. A saga do bruxo Harry Potter e seus companheiros Rony Weasley e Hermione Granger marcou a geração 2.0 como poucos fenômenos culturais conseguiram. Desde o lançamento do primeiro livro, em 1997, na Inglaterra, até a estreia de “Harry Potter e as relíquias da morte”, que acontece hoje em todo o País, muita coisa aconteceu e os jovens que leram as histórias do garoto que é levado para Hogwarts, cresceram, assim como o personagem central.

Narradas em sete livros, as aventuras de Harry chegam aos cinemas de forma avassaladora. Em Campo Grande e em todo o Brasil, às 23h55min, fãs de carteirinha entrarão nas salas para presenciar a transposição do último livro, considerado o mais pesado e obscuro da série. Dirigido por David Yates, que também esteve à frente dos últimos dois longa-metragens, o último filme foi dividido em duas partes, com a segunda estreando em julho de 2011. Fruto da indústria cultural, ninguém pode negar que os filmes da série alcançaram um patamar invejável na história do cinema.

Como é para os fãs que leem as histórias de Harry, Hermione e Rony, desde que foram lançadas no Brasil e assistiram a todos os filmes, presenciar o final desta saga? “A sensação é de vazio. É um ciclo que se fecha: o final da infância e da adolescência. Comecei a me identificar com os personagens à medida que crescia, pois eles também cresciam. É um pouco triste saber que daqui a pouco não terei mais o que esperar”, aponta o acadêmico de Publicidade e Propaganda Eduardo Araújo.

Com 20 anos, ele acompanha a saga desde 2000, quando foi lançado o primeiro livro, “Harry Potter e a pedra filosofal”. À medida que os livros eram traduzidos, Eduardo passou a ler cada um deles e se aproximou cada vez mais do universo do jovem bruxo. “Quando o último livro foi lançado, eu me senti meio órfão. Agora, com o filme, é uma sensação parecida, embora ainda não seja o fim, já que no ano que vem estarei na estreia esperando pela última parte”, descreve.

Da adolescência à vida adulta
Além de aventura, magia e paisagens pitorescas, a escritora Joanne Kathleen Rowling também ambientou os personagens em meio aos dilemas de deixar a infância e enfrentar a adolescência. Para Harry, crescer também significava enfrentar o passado, a morte dos pais e seu grande inimigo Voldemort, que neste último filme empreende uma verdadeira caçada ao jovem bruxo. Em um dos momentos de maior tensão, no esperado encontro entre os dois, o vilão afirma que o jovem que viveu chegou ali para morrer.

“A história inovou. Não havia nada parecido até então. Por mais que o mundo fantástico do filme não seja novo, colocar adolescentes ali cria uma identificação com os fãs que faz a diferença”, acredita a estudante de arquitetura Viviane Marques, de 21 anos. Para ela, a possibilidade de se colocar no lugar dos personagens em situações humanas como o primeiro beijo favorece para o fenômeno que foi Harry Potter.

Segundo Eduardo, a série trouxe para a geração 2.0 algo que se perdeu com o tempo. “Se deu valor às pequenas coisas, aos relacionamentos, à amizade. Também mostrou que existe tempo para tudo, que a gente amadurece com o tempo e com as situações que vivemos”, afirma. Mais um ponto a favor da série, segundo Eduardo, foi despertar os prazeres da leitura entre os adolescentes. “É um universo rico, cheio de referências a outras mitologias. Isso faz com que a gente queira saber mais”, aponta.

Outras séries surgiram e tentaram alcançar o sucesso e a consistência que a saga do bruxo adolescente obteve. Entretanto, as qualidades de Rowling como escritora evitaram que Harry Potter fosse apenas uma história para crianças e adolescentes. Os filmes também conseguiram se diferenciar, convidando diretores como o mexicano Alfonso Cuarón, que renovaram temática e esteticamente a franquia. “O último livro é cheio de surpresas, o destino dos personagens se define e existem reviravoltas instigantes”, pontua Viviane. Ela aguardou ansiosamente pela estreia de “Harry Potter e as relíquias da morte”. “Fico feliz por terem dividido em duas partes. O choque de saber que acabou não vai ser tão forte assim”, brinca.

História mais sombria e violenta
A espera pelo último filme da série foi longa. Dividido em duas partes, “Harry Potter e as relíquias da morte”, que estreia hoje em todo o Brasil, é considerado o episódio mais pesado e violento da série. Não espere entretenimento leve, mas uma narrativa pontuada por terror e ação, já que o vilão Voldemort retornou, espalhando horror pelo mundo mágico de Hogwarts. Entre os elementos mais importantes no último filme estão as Horcruxes, objetos mágicos que aparecem em “Harry Potter e o enigma do príncipe”. São a chave para os eventos dos dois últimos livros. Guardam fragmentos da alma de um bruxo, impedindo que ele morra, portanto, somente depois de todos objetos destruídos, ele poderá ser vencido. Adivinhe quem fez uso delas? Voldmort! Harry terá que encontrá-las se quiser vencer o vilão. São as tais relíquias da morte.

A primeira Horcrux aparece no segundo livro da série, “Harry Potter e a câmara secreta”. É o diário de Tom Servolo Riddle, o jovem Voldmort, que é destruído por Harry com a presa do Basílisco. No penúltimo livro também foi destruído mais um, o anel dos Gaunt por Alvo Dumbledore. Portanto, restam ainda cinco relíquias que deverão ser encontradas por Harry, Hermione e Rony, se quiserem vencer o bruxo com o nome que não deve ser pronunciado.
 

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