Quarta, 20 de Junho de 2018

O cara e a coroa

12 MAI 2010Por 00h:03
Entendo que temos dois parâmetros para conhecer as pessoas e avaliá-las: primeiro o exame do que fazem, o segundo, não menos importante, é o exame do que pensam – ação e ideias. Já dizia Lênin que sem as ideias de Marx não teria feito a revolução. Isto nos diz que as ideias antecedem a ação. Mais do que isso, as ideias determinam e comandam. Proponho esses exercícios didáticos como guia para avaliar o Cara, assim dito pelo Obama, e sua invenção a coroa Dilma Rousseff.

Começo com uma dúvida sobre a proposta acima: a coroa é realmente uma invenção do Cara? Cada vez mais as ideias me levam à posição oposta de que na realidade Lula é uma invenção da Dilma. Esse aparente paradoxo não é um jogo de palavras, pois cada vez mais passo a nele crer, pelo que devo explicações. Vejamos.
Comecemos pelo Cara. Por onde andam as suas ideias ou como anda a sua cabeça? Trata-se de um homem de fulgurante inteligência e que, portanto, não lhe devem faltar ideias. Mas, a inteligência é apenas um instrumento de conhecimento que, sem ser exercitado, não cria ideias ou as cria falsas. O Cara é não somente um ignorante, como também, um apologista da própria ignorância, quando se vangloria de ter chegado à presidência sem saber nada, sem nunca ter lido um livro sequer.

Faz pouco tempo, numa entrevista, justificando a sua posição, o nosso Lula, fugindo de conceituações embaraçosas, se definiu como um político, simplesmente um político. Achei a definição correta e perfeitamente adequada à sua pessoa. Ora, normalmente, políticos têm ideias e ideologias que guiam as suas ações. Ao se definir “simplesmente político”, o nosso Lula, com sinceridade, estava querendo dizer que a sua cabeça é dominada apenas pelo exercício de ganhar eleições e nada tem a ver com ideias, ideais ou ideologias. Então fica respondida a indagação: o que ele pensa? Ganhar eleições. Ponto. Foi assim a sua vida desde as disputas sindicais.

Sendo a ação uma decorrência de nossas ideias e, sabendo-se que a única preocupação intelectual do Cara é ganhar eleição, fica fácil avaliar os seus atos. Como a sua cabeça abomina o estudo e a reflexão, descarta também qualquer princípio regulador: a moral não existe. Ganhar eleições é, para ele, um jogo sem regras. Assim, passa por cima de juízes e tribunais, abraça e acaricia os corruptos do mensalão, senta-se feliz ao lado do Sarney, Collor, Maluf e outros desse amolecido PMDB, assalta os cofres das estatais e bancos públicos e nomeia e nomeia e nomeia funcionários com fins eleitoreiros. Será lembrado, pela insensibilidade moral – eleitoral, como o mais corrupto governo da nossa história.
Deixo o Cara passo à coroa. Quem é Dilma Rousseff? O que pensa? A resposta é muito fácil. Trata-se de uma trotskista, por confissão pública, e portanto comunista marxista. Trotski foi um dissidente de Stalin que o expulsou do partido em 1927. Como as ideias são as mesmas de Marx os comunistas ditos trotskista são apenas dissidentes de Stalin e não do marxismo e, portanto, são comunistas. Assim é a cabeça de Dilma e por aí ela sempre guiou os seus atos. Desde a juventude foi uma guerreira na luta pela conquista de poder e, durante a ditadura, tornou-se guerrilheira armada, saqueando bancos e promovendo sequestros.

Não combato ninguém por ser comunista, pois podem ser movidos pelo mais puro idealismo. Combato o atraso dessas ideias já historicamente provadas como inadequadas. Empobreceram todo o leste europeu, até a muito culta Alemanha atrás do muro. Compare-se a Coreia do Sul, democrática e feliz, com a sua irmã do Norte. Compare-se a  China de Mao com a China capitalista de hoje, que, quando chegar à adoção das liberdades políticas poderá chegar à maior potência da terra. São evidências históricas. E, como a coroa Dilma nunca se definiu em contrário, ou mais exatamente, como ainda se orgulha da sua imagem de guerrilheira comunista, sinto-me na obrigação de combater o atraso que comanda a sua cabeça e, evidentemente, não me agrada tê-la como presidente desta nação cordata e feliz.

Volto à proposição de que Lula é uma invenção de Dilma ou mais exatamente do moribundo comunismo internacional através das desatualizadas cabeças dessa célula montada na Casa Civil. O plano é muito antigo e tem como diretriz tática o abandono da guerra revolucionária pela tomada do poder através dos partidos democráticos. O PT foi fundado pela esquerda com esse objetivo. Antes que me julguem em delírio devo lembrar que essa história não é nova; ela é hoje a repetição de 1964 quando o próprio Prestes assenhoreou-se do governo de Jango Goulart que era, como Lula, um populista sem ideias e ideais. Essa foi a causa da eclosão da revolução e ditadura militar de incômodas lembranças.

Os membros, dessa trupe que hoje comanda a cabeça do Lula, andam muito felizes e descontraídos pela certeza da vitória da Dilma. Em função dessa certeza já não se escondem, sentem-se livres para ir à Cuba beijar a mão do papa ou se ajoelhar babando para o excelso Hugo Chaves. Esperemos as eleições. Até lá teremos que conviver com a maquilagem de transformação da guerrilheira na Dilminha Paz e Amor, a bonequinha eleitoral. Logo a veremos jurando desesperado amor à democracia e à liberdade de mercado, execrando o seu passado guerrilheiro. Como acreditar?
Os marqueteiros já estão treinando os trejeitos e meneios com que ela carregará, até a eleição, a aura da santidade. O trabalho deve ser árduo. Li de um jornalista com trânsito na imprensa nacional que esse árduo treinamento incluirá exercícios de “rebolation”, a nova dança que anda empolgando a juventude. Não sei se é verdade ou maldade, mas devo confessar que não pude me furtar de imaginar os ensaiados tremores dos enferrujados quadris da coroa.

Abílio Leite de Barros, albcg@terra.com.br

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