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CENAS DE CAMPO GRANDE

O capinzal a ser florido

O capinzal a ser florido
25/02/2010 04:36 -


Campo Grande é um vasto campo de muitas falas e modos. Para bem dizer, é mesmo um capinzal a ser revolvido e trabalhado para que floresça. Disso tenho prova, pois nesta cidade já fiz de tudo para ver se acerto: fui palmeira, fui jardineira, fui poeta, estudante, estudiosa, pesquisadora, comerciante, escritora, dona de casa, requerente e vendedora de fazendas (apenas não vendi nenhuma), projeto de cineasta, investigadora, política, candidata ao Legislativo. De vez em quando, repetia tudo de novo... Lembro-me certa vez da minha decepção num comício naquele célebre sítio onde havia sumido o relógio da Rua 14 de Julho. Cheia do entusiasmo próprio que me move sempre, subi ao palanque julgando-me, democraticamente, que fosse igual a um deles que lá estavam. Para minha surpresa e ingenuidade, levei o que não esperava: trancos de todos os lados – até no pescoço um cara da turma do “larga mão” ou “deixa disso” aplicou-me de supetão uma chave de braço, dando-me um susto para que me afastasse. Coitado! sabe-se lá que missão cumpria. Porém, não me afastei, aguentei firme. Retirei calmamente o tranco do meu pescoço e pedi ao mesmo tempo súplice e enérgica: “Por favor, deixa-me passar!?” Movia-me raro entusiasmo pelo grande homem de verde e amarelo. Os sentimentos de admiração e apreço levavam-me a frente! Queria vê-lo, falar-lhe. dizer-lhe da minha simpatia e admiração por sua pessoa honrada e idealista. Mas nada. Eu era apenas uma figura de terceira ou quinta categoria, intrusa no pelotão neonazista que habitava aquele “palanque democrático”. Assim mesmo, forcei a barra pesada dos figurões e fiquei parada na fila da frente, esperando-o passar. Afinal, por que não? Que mal fizera para não poder nem chegar perto do homem? Assim ruminava, quando vi o homem de verde e amarelo que plantava um coqueiro no meio do capinzal e se aproximava até onde me encontrava. Elegantemente, ele pisava firme e andava airoso e belo. Dei, então, um passo à frente – mostrei-me. O homem olhou-me curioso pela minha audácia! Então, percebendo o momento exclusivo, enchendo o peito de oxigênio, eu disse em voz bem alta, quase aos gritos: “Viva a democracia!” Ele me olhou profundamente triste e silente, como se seus olhos varassem séculos. Tornei a gritar, como quem grita pela última vez. Então, o homem de verde e amarelo olhou, me encarando com olhar débil, longínquo e profundo, fitando-me como se eu fosse a melancólica utopia, respondendo com seriedade e sem mexer nem um músculo da sua rosada face: “Viva” – e continuou seu caminho no capinzal. Então, num relance, vi o troglodita que o acompanhava: era o mesmo que me dera a “chave de braço”.

Felpuda


Prefeitura de município do interior de MS recebeu recomendação do Ministério Público do Estado no sentido de exonerar servidores comissionados, livres do cartão de ponto, que são parentes de secretários da administração e de vereadores. O nepotismo se tornou um excelente “negócio” por lá, e se até o dia 6 de agosto as devidas providências não forem tomadas, medidas serão adotadas, como ação por improbidade administrativa. Tem gente que não aprende mesmo, né?