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Número de haitianos no Brasil triplica em 2013 e já passa de 21 mil

28 JAN 14 - 13h:00r7

O fluxo migratório de haitianos para o Brasil, após o forte terremoto que atingiu o país caribenho há quatro anos, atingiu número recorde em 2013. Dados do Ministério da Justiça obtidos pelo R7 mostram que, só no ano passado, mais de 13 mil haitianos conseguiram o visto permanente por razões humanitárias. Esse número é quase três vezes maior do que o registrado nos três anos anteriores.

Segundo o MJ, 13.669 haitianos conseguiram o visto em 2013 (até 17 de dezembro). Em 2012, foram 4.658 haitianos contemplados. Os anos de 2011 (com 2.644 vistos) e 2010 (459) foram os períodos de menor fluxo.

Com isso, o número de haitianos que receberam o visto humanitário no Brasil saltou de 7.761, em 2012, para 21.430 no final do ano passado.

Essa modalidade especial de visto, exclusiva aos haitianos, foi instituída pela resolução nº 97, de janeiro de 2012.

Para o Ministério da Justiça, o que se destaca nesse recente fluxo migratório não é o número de haitianos que entraram no Brasil, mas sim a diversificação dos migrantes.

“O aspecto inédito do fluxo de haitianos não é o número de migrantes, mas a sinalização de que a imigração para o Brasil se diversifica e a imagem do País se projeta e atrairá novos fluxos com características sociais, linguísticas e culturais também novas”, informou o MJ, por meio de sua assessoria.

Haiti acriano

Os números do Ministério da Justiça deixam claro que a principal porta de entrada continua sendo a das arriscadas rotas pela Amazônia peruana, utilizadas pelos haitianos para chegar à cidade de Brasileia, no Acre.

Em 2013, dos 13.669 haitianos que chegaram ao País, 8.833 entraram por Brasileia — 64% do total.

Para chegar à pequena cidade acriana, os migrantes utilizam uma rota conhecida pela atuação dos chamados coiotes — pessoas que, em troca de dinheiro, se encarregam de realizar a travessia até o Brasil. Os migrantes saem do Haiti rumo ao Equador, onde não precisam de visto, cruzam o Peru em seguida (com ajuda dos coiotes) e desembarcam no Acre.

A entrada de haitianos por Brasileia aumentou ainda mais nos primeiros dias de 2014, superlotando o abrigo utilizado para recepcioná-los.

Criado pelo governo federal e mantido em parceria com o poder estadual, o abrigo tem capacidade para 450 pessoas, mas atende, este ano, a cerca de 1.200 migrantes. 

O secretário de Direitos Humanos do Estado, Nilson Mourão, chegou a sugerir o fechamento da fronteira. Mas a proposta foi esquecida, após reunião entre o governador Tião Viana e o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo.

Barrar a entrada de haitianos está fora de cogitação para o governo federal.

Segundo o MJ, o combate aos chamados coiotes não deve prejudicar os migrantes nem impactar na sua entrada no País.

— O combate a organizações que explorem as fragilidades das rotas migratórias não deve impactar sobre os próprios migrantes.

O Ministério da Justiça ressaltou que a estratégia do governo é fortalecer a migração segura, por rotas convencionais, como o estímulo para a obtenção do visto ainda em Porto Príncipe, capital do Haiti.

Além disso, o MJ afirma que é preciso desenvolver políticas para acelerar a inserção social do migrante no Brasil.

Tais políticas estão entre as principais exigências do governo do Acre para dar conta do fluxo de haitianos e outros migrantes via Brasileia.

O governo acriano decretou situação de emergência social no município, e também em Epitaciolândia, em outubro passado. O decreto foi prorrogado neste mês por mais 90 dias.

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