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sexta, 15 de fevereiro de 2019 - 17h09min

Novo sistema para vender gado será lançado no dia 12

5 ABR 10 - 21h:55
Maurício Hugo

Agora, tudo indica que vai acontecer. Depois de muitos anos reféns de um sistema injusto de comercialização de seu principal produto, o boi gordo, os pecuaristas de Mato Grosso do Sul e do Brasil apostam num novo sistema nacional de comercialização do gado que lhes permitirá melhores condições, mais segurança e preços mais justos.

No próximo dia 12 será lançada em Campo Grande a Bolsa de Carnes do Brasil. A solenidade acontecerá na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de MS - Famasul. A iniciativa promete fazer com que as relações de compra e venda entre pecuaristas e a rede frigorífica sejam mais transparentes e com garantia de liquidez. O projeto é de autoria da Comissão Técnica da Bovinocultura de Corte da Famasul e da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM).
Conforme a explicação do coordenador da comissão, José Lemos Monteiro, nas transações na Bolsa de Carne, vendedor e comprador vão fixar o preço do produto antes de os bois serem embarcados do seu local de origem. Os frigoríficos vão ter que fazer  o depósito de 90% do valor que fica fixado na operação, em uma conta de liquidação financeira da BBM, e somente depois dessa garantia o rebanho será liberado para o comprador. O acerto final será feito após o abate dos animais, com o repasse do valor pela conta de liquidação. Ambas as partes estão acreditando que a iniciativa dê certo.

Motivada pelos prejuízos
A Famasul investiu na elaboração do projeto motivada pelos últimos acontecimentos envolvendo a falta de pagamento por parte de redes frigoríficas que tiveram problemas de liquidez e, em alguns casos, até fecharam suas empresas. “O que queremos é dar ao produtor uma oportunidade diferente de comercialização dos produtos, garantindo melhores condições de recebimento”, destaca Lemos Monteiro.
Uma das consequências da proposta é tornar o boi uma commoditie, assim como é a soja, o milho e o etanol. O vice-presidente da BBM no Estado, Carlos Eduardo Dupas, afirma que a bolsa é capaz de fazer essa aproximação entre os dois agentes da relação, garantindo mais transparência e liquidez nas operações.

Dupas destaca que “anteriormente, os problemas de falta de pagamento nessas transações eram pontuais, mas de uns dois anos para cá se tornaram recorrentes, prejudicando seriamente a classe produtora. Com esta operação via BBM, ambos os lados (pecuaristas e frigoríficos) serão beneficiados”, diz.
O representante da Bolsa também ressalta que com a nova transação os pecuaristas terão garantia de recebimento, maior competição dos preços, haverá maior número de frigoríficos competindo e sem distinção entre os frigoríficos menores e as grandes indústrias, além de maior transparência. Os frigoríficos de pequeno porte terão mais credibilidade, regularidade de oferta e melhor gestão de compra de animais.

De acordo com a BBM, nos negócios à vista o sistema de liquidação pode ser feito na forma “Delivery versus Payment”. O negócio será realizado no sistema eletrônico, o frigorífico faz o pagamento na conta de liquidação da bolsa, após isso, o pecuarista será autorizado a entregar os animais conforme escala pré-definida pelo comprador e o pagamento ao vendedor só será feito após a remessa do laudo de abate que terá a concordância das partes.
As ofertas podem ser feitas em quantidade de arrobas líquidas de peso morto, os pagamentos pelas quantidades ofertadas e as liquidações, a partir da arbitragem do laudo de abate. Existe a possibilidade de se determinar um percentual  sobre o valor total da operação, ficando o acerto final para ser ajustado entre as partes. Tanto nos negócios físicos, quanto nos negócios a termo firmados entre as partes a bolsa oferece o registro de balcão, por intermédio de corretoras associadas.

Para Dupas, o interesse que está sendo demonstrado por parte dos produtores e dos frigoríficos indica que o projeto deverá ser um sucesso, com previsão de iniciar os primeiros negócios já no próximo mês. “Este é primeiro de um dos maiores problemas da pecuária sul-mato-grossense que está prestes a ser resolvido”, conclui.
(Com informações da Assessoria de Imprensa da Famasul)
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