Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

MORTE DE SEGURANÇA

Novo advogado de Christiano diz que prisão do acusado é ilegal

4 ABR 2011Por Laís Camargo17h:00

Após ter o pedido de liberdade negado, a defesa de Christiano Luna de Almeida, de 23 anos, vai aguardar o julgamento de mérito, que leva entre 10 e 12 dias, para que ele possa responder ao processo em liberdade. Christiano é acusado de ter matado com um chute o segurança Jefferson Bruno Escobar, na madrugada do dia 19 de março deste ano.

O novo advogado de defesa do caso, Ricardo Trad, justifica que a prisão é desnecessária e ilegal, não atendendo os pressupostos que a lei exige para manter alguém preso. “Essa denúncia contra ele é cruel, quem vê as imagens vê que ele estava no chão sendo agredido por três pessoas, ele se defendia com os pés”, aponta Trad. A defesa também vai alegar legítima defesa.

“Ninguém falou até hoje que o segurança foi submetido a uma massagem cardíaca feita por leigos, e que essa massagem pode ter quebrado uma costela e resultado na morte dele”, comenta o advogado. Na primeira fase do julgamento não é discutido o mérito da questão – se a morte seria ou não intencional.

Análise das imagens

Em matéria publicada pelo Portal Correio do Estado no dia 29 de março, os delegados responsáveis pela investigação analisam as imagens e laudo pericial: em uma primeira parte, as imagens mostram que Christiano é tirado da boate pelo segurança e impõe resistência, caindo no chão. A delegada Daniela Cades explica que ele foi retirado da boate pós ser advertido duas vezes por "passar a mão" em um garçom.
 

Ao cair, Christiano dá um chute na lateral esquerda do corpo de Jefferson, fraturando o quarto e quinto arcos costais, conforme o laudo da perícia. Também foram encontrados hematomas internos no pulmão esquerdo do segurança e foi descartada a possibilidade dele ter sofrido um enfarte ou um aneurisma cerebral.
 

O segurança começa a passar mal, fato constatado pela polícia no momento em que ele apoia as mãos nos joelhos e fica com falta de ar. Jefferson desiste de tentar conter Christiano. A delegada diz que a segunda parte das agressões foi fundamental para qualificar o crime como homicídio doloso. "Nesta segunda parte, o segurança e Christiano saem do foco da câmera e o testemunho de um adolescente é fundamental para esclarecer os fatos", ela explica.

Segundo a delegada, o adolescente disse em depoimento que Jefferson falou que estava passando mal e, mesmo assim, Christiano continuou a agredí-lo. "Ele disse claramente que não se importava com o fato e continuou a bater no segurança. São 24 segundos de agressões e esses fatos que mudaram a indicação de lesão corporal seguida de morte para homicídio doloso", diz a delegada. Jefferson morreu por insuficiência respiratória aguda.


Amigos de Christiano relataram em depoimento que ele foi segurado e agredido por seis seguranças, o que não é comprovado pelo laudo pericial, segundo Daniela Cades. "No laudo consta apenas uma escoriação avermelhada de 10 a 15 centímetros no braço esquerdo".
 

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