domingo, 22 de julho de 2018

SAÚDE

Nova técnica para asma dispensa a ‘bombinha’

17 NOV 2010Por DA REDAÇÃO01h:00

Asmática desde pequena, a pesquidora de mercado Rosemary Ferreira, 42, não sabia o que era usar perfume. O cheiro provocava nela crise certa, como outros irritantes --fumaça de cigarro, pó, poluição, pelo de animais.
“Passei boa parte de minha vida em casa ou no hospital. Não tinha vida social, só falta de ar”, diz. A pesquisadora é uma das participantes de um estudo sobre uma nova cirurgia para tratar sintomas graves de asma.
Chamada de termoplastia brônquica, a técnica é feita com um tubo flexível introduzido pelo nariz ou pela boca, que leva até os brônquios um dispositivo gerador de calor. O aquecimento faz a musculatura lisa dos brônquios perder o volume e a força de contração.
“A função desse músculo é fechar o brônquio para não deixar agentes externos entrarem nas vias aéreas. No asmático, qualquer estímulo leva a uma resposta exagerada, fechando demais o brônquios a ponto de o ar não entrar”, explica Marina Lima, diretora científica da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.
O novo tratamento mantém o brônquio mais dilatado mesmo quando há estímulos para crises. Está sendo considerado uma solução para pacientes com asma severa ou que não respondem aos medicamentos usais (corticóides inaláveis ou orais).
“Não existia nada para esses pacientes e os resultados são promissores: a técnica reduziu drasticamente o uso de medicamentos”, diz o pneumologista Elie Fiss, da Faculdade de Medicina do ABC, um dos centros brasileiros onde a cirurgia foi testada.
Além dele, os testes clínicos no Brasil foram feitos nos hospitais universitários da UFRJ e da PUC do Rio Grande do Sul e na Santa Casa de Porto Alegre. O estudo global envolveu testes em vários países como EUA, Canadá, Reino Unido e Austrália.
Os bons resultados – mais de 80% de redução nas internações e uso de medicamentos – levaram à aprovação do tratamento pelo FDA, órgão regulador de medicamentos norte-americano.
No Brasil, o aparelho para a termoplastia brônquica ainda precisa ser aprovado pela Anvisa, o que deve ocorrer em 2011. Os centros que fizeram a pesquisa em São Paulo, no Rio e em Porto Alegre devem ser os primeiros a receber o equipamento.

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