Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

Lançamento

Nova obra dá voz a combatente

31 OUT 2010Por São Paulo00h:10

Resultado do trabalho de mais de uma década, o livro “Barbudos, sujos e fatigados, brasileiros na Segunda Guerra Mundial”, de Cesar Campiani Maximiano, que será lançado no próximo dia 6 de novembro, demole tanto a visão romântica quanto a ufanista que até hoje pautaram a maioria das interpretações sobre a Segunda Guerra Mundial.

Em uma nova e rigorosa abordagem, o autor dá voz ao combatente. Para isso entrevistou dezenas de ex-combatentes da FEB – vários trechos destas entrevistas estão transcritos no livro –, analisou cartas e diários da época, visitou o teatro de operação do norte da Itália, além de realizar extensa pesquisa nos arquivos militares brasileiros, britânicos e americanos. O contato próximo com os veteranos possibilitou, também, o acesso a material fotográfico nunca antes utilizado. O resultado é um minucioso e inédito retrato da campanha brasileira na Segunda Guerra Mundial.  Além das análises do ponto de vista militar, “Sujos, barbudos e fatigados” trata também das relações entre brasileiros e americanos. Se em alguns momentos houve situações de estranhamento entre eles, em outras a cooperação e o entendimento transformavam os soldados em “irmãos de armas”, como diz um dos cartazes produzidos pelo serviço de comunicação do governo americano.

Nossos soldados ficaram surpresos com os batalhões segregados. Color line no meio da guerra. Os soldados negros americanos eram, de modo geral, “empregados em funções braçais na retaguarda, e a infantaria americana era composta exclusivamente por brancos. Se a camaradagem praticada entre oficiais e praças do exército americano impressionou os brasileiros de forma positiva, a segregação praticada pelos americanos causou a mais profunda repugnância na tropa da FEB”. De certa forma, Cesar sugere que o movimento dos direitos civis dos negros americanos tem alguma dívida com o Brasil. O multiculturalismo brasileiro não aceitaria essa hipótese.

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