quarta, 18 de julho de 2018

TRAGÉDIA

Nova Friburgo sepulta 50 corpos não identificados

16 JAN 2011Por AGÊNCIA ESTADO00h:00

Militares do Exército, usando máscaras cirúrgicas, ajudaram a sepultar ontem 50 corpos ainda não reconhecidos da tragédia em Nova Friburgo no cemitério municipal Trilha do Céu, no bairro de Conselheiro Paulino. Carregados por militares da quadra da escola de samba Unidos da Saudade, no centro, na manhã de ontem, os primeiros 20 caixões lotaram três caminhões de transporte de tropa. O comboio seguiu por ruas da cidade com uma escolta da Polícia Militar e faria uma nova viagem até o centro para buscar os outros caixões. Enquanto isso, funcionários da prefeitura cavavam outras 200 covas rasas na Trilha do Céu.

O coordenador do Ministério Público em Nova Friburgo, Hedel Nara Ramos, explicou que todos os 50 corpos ainda não reconhecidos foram identificados por impressões digitais e fotografias. Os seis corpos, em estado avançado de decomposição, em que não foi possível recolher digital, nem fazer foto, tiveram material genético colhido para futuro reconhecimento.

Dos 50 corpos que seriam levados para o cemitério, pelo menos três foram reconhecidos no local por parentes e enterrados em jazigos privados depois do velório. O apoio do Exército foi solicitado pelo promotor. Segundo ele não haverá sepultamento em cova coletiva. "Não podemos permitir que isso ocorra até pela dignidade das pessoas e também porque perderíamos completamente o controle para futuros reconhecimentos.

Friburgo contabiliza centenas de mortos - "Temos a convicção de que há muitas famílias ainda soterradas, inclusive de um ex-prefeito do município, mas não conseguimos ainda chegar a estes locais", explicou o promotor. Após o enterro da manhã, 15 soldados do Exército seguiriam para auxiliar outro grupo de 30 homens que tentava resgatar corpos no bairro de Campo do Coelho. Segundo um coronel que coordenava os trabalhos, os corpos seriam levados diretamente para a Trilha do Céu.

O centro de Friburgo continuava com o comércio fechado. Continua a faltar comida e água. Mas pelo menos os sinais de telefonia celular voltaram ao normal.

O governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral decretou luto oficial, por sete dias, pelas vítimas das inundações e dos desabamentos causados pelas chuvas que atingem a região serrana desde o último dia 11 de janeiro. O decreto assinado sexta-feira entra em vigor na segunda-feira, quando sairá publicado no Diário Oficial.

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