Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

VAREJO

Nova classe média faz a festa do comércio

22 DEZ 2010Por Carlos Henrique Braga01h:00

Com fome de compras e a liberação do 13º salário, que deverá somar cerca de R$ 1,3 bilhão na economia sul-mato-grossense, a classe média, incluindo-se a nova, saiu às ruas para dar o pontapé no que o comércio prevê como "o melhor Natal da década". Segundo a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), o aumento nas vendas poderá chegar a 13,65% em relação ao mesmo período do ano passado.

O ano é dos novos consumidores. Segundo pesquisa do Data Popular, a nova classe C consumiu 41,35% de tudo que foi vendido no Brasil (total de R$ 2,1 trilhões). Só com móveis e eletrodomésticos, essas famílias torraram R$ 17,9 bilhões, cinco vezes mais do que em 2002.

Em um década de crescimento econômico, foi a primeira vez que a diarista Dilza Oliveira, 48 anos, conseguiu presentear-se no Natal. Duas sandálias e uma bolsa. "Pra mim, nunca dava", conta. A cozinheira Valdineia do Carmo, 37, vai gastar R$ 1 mil com presentes e botar um carro zero-quilômetro na garagem da casa, que, aliás, é nova. A parcela é de R$ 412, em 5 anos de prazo.

Primeira vez também que o funcionário público Gercy da Silva, 48, bota uma TV de tela plana de 42 polegadas, por R$ 1,5 mil, na sala. Serão 15 parcelinhas de R$ 100, valor que sobra no orçamento de famílias que antes caminhavam apartadas do crédito.

Reta final
19h30min Hora de sair do trabalho direto para o centro de Campo Grande. Nas calçadas, onde os novos e antigos consumidores caminham espremidos, o movimento ainda não era a metade do que será até sexta-feira, o Dia D do varejo. Quem tinha as melhores promoções chamava mais gente. Na esquina das ruas 14 de Julho e Barão do Rio Branco, filas para comprar sapatos na nova e moderna loja da Estúdio Z e na grife caseira de Ailton Figueiredo, ao lado.

Ele alugou um corredor na 14 e expõe, na parede, a coleção de 200 modelos que a esposa, Márcia, desenha. A produção, feita em casa, é de 80 pares por dia e, assim, dá para vender por R$ 10 ou R$ 15. "O povo gosta do que vê na televisão, com certeza", analisa o microempresário. Os mais pedidos neste ano são os de plástico de PVC com flores coloridas, feitas de couro de porco.

Perto dali, a vendedora de churros Fátima Rosa aumentou em 50% o preço do doce pela primeira vez em seis anos, de R$ 1 para R$ 1,50. "As coisas estão subindo muito", justifica. É o preço que se paga pelo crédito farto no mercado e pelo consumo mais aquecido do que nunca, atores do cenário de inflação gorda, a maior dos últimos 6 anos, em Campo Grande.

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