Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

“Arca do gosto”

Nem só de animais são compostas as listas de extinção Brasil afora

20 SET 2010Por Slow Food Brasil10h:59

Quais as semelhanças entre a arara-azul e o pequi?
Além do local onde podem ser encontrados, paira sobre ambos a ameaça da extinção.
Pequi, pinhão, mangaba, cagaita, palmito juçara. Com certeza você conhece ao menos um desses alimentos tipicamente brasileiros. Inclusive, é bem provável que algum deles tenha marcado o seu paladar, seja sozinho ou compondo receitas difíceis de esquecer. Acontece que o aquecimento global representa ameaça para estas e várias outras variedades de alimentos.  O catálogo mundial “Arca do gosto” (www.slowfoodbrasil.com.br), referência nominal direta à Arca de Noé, identificou, localizou, descreveu e divulgou produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais. Desde o início da iniciativa em 1996, mais de 750 produtos de dezenas de países foram integrados à Arca, todos ameaçados em função do aumento estimado da temperatura global. Na lista brasileira, 21 alimentos figuram como ameaçados. Veja alguns deles:

Mangaba: O fruto é elipsóide ou esférico, tipo baga, cor amarela ou esverdeada, com ou sem pigmentação vermelha. Conhecendo o fruto e fazendo dele uso, os indígenas chamavam-no mangaba, que significa “coisa boa de comer”. Além de apreciada in natura, a mangaba é muito utilizada na fabricação de sucos, sorvetes, geléias, doces em calda, compotas, licores e xaropes.
Nome científico: Hancornia speciosa

Pequi: Altamente calórico, além do sabor perfumado e único que faz com que seja usado como ingrediente e condimento no preparo de vários pratos, a polpa do pequi contém uma boa quantidade de óleo comestível (cerca de 60%) e é rico em vitamina A e proteínas. O arroz, o frango e o feijão cozidos com pequi são pratos fortes da culinária regional; o licor de pequi tem fama nacional.
Nome científico: Caryocar brasiliense

Pinhão: Usualmente, o pinhão é cozido em água para a utilização em inúmeras preparações, ou assado diretamente na chapa do fogão de lenha. As duas receitas mais tradicionais na qual se utiliza o pinhão são: paçoca de pinhão (pinhão cozido e moído, misturado com carne seca em um pilão) e entrevero (um cozido de verduras e carnes acompanhados de pinhão).
Nome científico: o pinhão é a semente da Araucária angustifolia

Palmito juçara: O Palmito Juçara é tradicionalmente comido cru com mel, pois não se usa sal ou açúcar na culinária Guarani. Também pode ser cozido, assado em fogueira ou frito. A maior parte do palmito é removida através de métodos não sustentáveis de extração, executados por palmiteiros que não são indígenas no Litoral Norte, Litoral Sul e Vale do Ribeira.
Nome científico: Eutherpes edulis

Aratu: Este crustáceo vive no mangue, em buracos na areia ou dentre os ramos da vegetação no Sergipe. os coletores de aratu na área de Santa Luzia do Itanhy percebem a redução da quantidade de aratu nos seus manguezais. De 2000 a 2004 a mortalidade de caranguejos na área, devido a um fungo, reduziu o número de caranguejos capturados diariamente de 180 para 20 por pessoa.
Nome científico: Goniopsis cruentata

Arroz vermelho: Na Paraíba, o arroz vermelho constitui um dos principais ingredientes da culinária regional, sendo portanto considerado um alimento especial nas casas das famílias e restaurantes do interior. Com uma área anualmente plantada em torno de 5 mil hectares, o Vale do Piancó constitui o verdadeiro refúgio do arroz vermelho no Brasil.
Nome científico: Oryza sativa

Umbu: Também conhecida como imbú, esta fruta é nativa do nordeste do Brasil e é típica da caatinga. Elas são colhidas manualmente e podem ser comidas cruas ou transformadas em conservas. Tradicionalmente elas são cozidas até que a casca se separe da polpa. Depois se escorre a calda, acrescenta-se açúcar de cana e o cozimento continua até que se forme uma gelatina (geléia).
Nome científico: Spondias tuberosa

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