quinta, 19 de julho de 2018

DUPLA CIDADANIA

Nas fronteiras, em algumas cidades, curiosidades da eleição

3 OUT 2010Por Maurício Hugo13h:07

O Brasil faz fronteira com dez países da América do Sul. São 570 municípios na área fronteiriça. Em algumas cidades, parte da população possui até dupla cidadania - vota nas eleições brasileiras e também no pleito do país vizinho. Segue regras eleitorais diferentes, mas vai às urnas hoje (3) em busca de políticas públicas melhores para os dois lados da fronteira.

Exemplo disso é a relação entre a população de Sant'Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, com a da cidade uruguaia de Rivera, como conta a chefe do cartório da 30ª Zona Eleitoral do município gaúcho, Célia Luiza.

“Aqui é uma fronteira onde a gente só atravessa a rua e já está no outro país. De um lado o Brasil, falando português, com reais, e uma legislação. Do outro lado, o Uruguai, as pessoas falam o espanhol, a moeda é o peso, e a legislação é outra, inclusive a eleitoral. Tem muitos brasileiros que vivem no Uruguai, no lado de Rivera. E também tem aqui, o que a gente chama de doble chapas, que são os uruguaios que se naturalizam brasileiros e vice-versa”, disse.

De acordo com Célia Luiza, no Uruguai, por exemplo, os candidatos brasileiros não podem fazer campanhas e abrir comitês no país. Já o transporte de eleitores é permitido. “Os brasileiros podem se dirigir à seção eleitoral [no Uruguai] normalmente. Tem alguns cuidados, que pela legislação são diferentes. No Uruguai é permitido o transporte de eleitores e o no Brasil, não. Então, a gente sempre dá enfase para os candidatos que têm que seguir a legislação brasileira, que não podem usufruir de benefícios que a legislação uruguaia permitiria”, afirmou.

Na região amazônica, essa integração da população de fronteira também é marcante. É caso do município de Atalaia do Norte, no Amazonas, que faz fronteira com o Peru e a Colômbia, e onde grande parte da população é indígena ou de origem indígena.

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