quinta, 19 de julho de 2018

Aviação civil

Nas asas do desenvolvimento

22 OUT 2010Por 00h:00

Discussões históricas à parte, o primeiro voo de Santos Dumont aconteceu em 1906, em Paris. Pioneiro na aviação civil brasileira, o sul de Mato Grosso já recebia seus primeiros aviões em 1930. Agropecuaristas como Etalívio Pereira Martins, Osvaldo Arantes, Laucídio Coelho, Elisbério Barbosa foram os primeiros a comprar aviões para sobrevoar suas propriedades, fazer medições de terra, observar as condições da fazenda, entre inúmeras outras atividades.

Tendo em mente a importância da aviação para o Estado, a Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS) lançará na próxima segunda-feira, às 18h, o livro “Decolando daqui – história da aviação civil sul-mato-grossense”, escrito por Vera Tylde de Castro Pinto, diretora executiva do órgão, e Heitor Rodrigues Freire, vice-presidente do IHGMS. A obra conta com depoimentos de mais de 25 protagonistas dessa história, entre pilotos, agropecuaristas, aeroclubistas, instrutores de escolas de aviação e aviadores militares.
“Não podemos negar a importância da aviação civil para a constituição do Estado que nasceria décadas depois. Mato Grosso do Sul é filho desse desenvolvimento econômico que se deu, entre tantos fatores, por conta da aviação civil”, descreve Heitor. A obra comemora os 80 anos da atividade no Estado. A ideia da obra surgiu de uma conversa entre a co-autora Vera Tylde e seu irmão, Hélio Ruben de Castro Pinto, que lhe apontou a necessidade de um trabalho sobre a história da aviação civil, principalmente, por sua importância para o seu desenvolvimento econômico.

“Enquanto o Brasil formava sua força aérea militar, os fazendeiros do Estado utilizavam os aviões como instrumento de trabalho. É um assunto que merece ser estudado, por ser inédito e relevante”, defende Vera.

O livro, dividido em 12 capítulos, aborda desde os primeiros a importar aeronaves para os trabalhos em fazendas à criação de aeroportos e hangares que possibilitaram o crescimento e fortalecimento da aviação civil.

Entre as histórias contadas no livro, uma das que chamam a atenção é a criação da cidade de Chapadão do Sul, para a qual a aviação teve grande importância. “Por ser uma região repleta de fazendas, o uso de aviões era comum e a principal forma de chegar até lá era pelo ar. As pessoas chegaram na cidade graças a isso”, explica Vera. Como as estradas eram precárias e o deslocamento era difícil, a popularização da aviação civil aconteceu de modo simples e rápido.

Entretanto, como lembram os autores, a dificuldade de levantar fontes para o livro mostrou a falta de consideração que existe com essa história. “Não há nenhum museu voltado para a atividade, nem mesmo qualquer centro de registros com arquivos sobre essa história. Esperamos que nosso livro abra as portas e alerte para a necessidade de se preservar a memória da aviação no Estado”, finaliza Heitor.

Leia Também