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EX-PRESIDENTE

'Não é tarefa fácil a desencarnação', diz Lula

29 ABR 2011Por G100h:01

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta quarta-feira (27), que não está sendo fácil esquecer as tarefas que desempenhava como presidente. Lula discursou por mais de uma hora durante a abertura do 8º Congresso Nacional de Metalúrgicos da CUT, em Guarulhos (SP).

O ex-presidente foi aplaudido em pé pelos militantes, que cantaram em coro o nome de Lula no começo e no fim do discurso.

"Eu ainda não desencarnei totalmente do meu mandato de presidente. Não é uma tarefa fácil a desencarnação. É um processo difícil. E eu assumi um compromisso com a minha consciência e com a companheira Dilma de que era preciso um processo de desencarnação para que pudéssemos construir a cara e o jeito de governar da nossa presidente, sem a cara do ex-presidente. E, ao mesmo tempo, eu queria também ensinar a alguns ex-presidentes como é importante ser um ex-presidente sem dar palpites. Eu tenho falado mais do passado, e deixado o futuro para que a nossa presidente fale", disse Lula.

Presidente de honra do PT, Lula admitiu diante dos metalúrgicos que está com saudades de percorrer o Brasil em caravanas, como fazia nos tempos de campanha política.

"Estou com uma saudade, um comichão, uma coceira esquisita, com vontade de fazer caravana, viajar pelos estados, fazer plenárias, visitar quilombos e indígenas. Eu estou com vontade de tudo, mas eu tenho de me controlar pois somente com autocontrole é que eu vou conseguir desencarnar e assumir o papel de ex-presidente de verdade", disse.

Estou com uma saudade, um comichão, uma coceira esquisita, com vontade de fazer caravana, viajar pelos estados, fazer plenárias, vistar quilombos e indígenas. Eu estou com vontade de tudo, mas eu tenho de me controlar pois somente com autocontrole é que eu vou conseguir desencarnar e assumir o papel de ex-presidente de verdade"Luiz Inácio Lula da SilvaDurante o discurso, Lula relembrou alguns dos principais programas desenvolvidos pelo seu governo, como o Luz para Todos e o ProUni. Lula chegou a dizer que nenhum governo na "humanidade" praticou a democracia como o seu.

"Eu duvido que na história da democracia praticada pela humaniodade tenha havido um governo que tenha exercido a democracia na plenitude que nos exercitamos".

Sem citar nomes, o ex-presidente alfinetou adversários políticos, dizendo que a frase que se tornou símbolo do seu governo foi criada para atacar os opositores.

"Não tenho nenhuma vergonha de dizer que quando eu dizia 'nunca antes na história deste país' era para provocar os adversários. Eles nunca fizeram nada. Eu sei quantas vezes dizeram que a Marisa não poderia ser primeira-dama porque ela não ia conseguir limpar os vidros do Palácio do Planalto. Quantas vezes disseram que eu não poderia fazer política externa porque eu não falava inglês nem francês. E eu provei que podia ser melhor que eles", disse.

Lula lembrou que nem sempre a relação foi fácil entre governo e sindicatos, mas que "nunca perdeu" a noção de que lado ele estava. "Muitas vezes, os companheiros sindicalistas foram duros com o governo, e nós fomos duros com os companheiros. Mas nunca perdemos a visão de que lado nós estávamos, de que lado nós representávamos. No momento difícil foi o movimento popular que assumiu a defesa do governo".

O ex-presidente ainda afirmou que não há nenhuma possibilidade de divergências entre ele e a presidente Dilma, e pediu que os sindicalistas apoiem o governo de Dilma. "Eu sei que às vezes vocês ficaram chateados, ficaram decepcionados, mas neste momento vocês têm de dizer, ele cometeu um erro, mas ele era nosso. Ela cometeu um erro, mas ela é nossa. Portanto, é nossa obrigação dar sustentação para ela [Dilma], para que tenhamos uma Copa do Mundo maravilhosa. Depois vamos fazer uma Olimpíada maravilha", disse.

O ex-presidente terminou seu discurso falando sobre a crise econômica, e disse que o governo vai cuidar da crise como "se cuida de um filho".

"O problema da crise econômica não é nosso. Não é porque vocês ganharam aumento de salário, é por termos uma política relacionada a uma economia do dólar, que resolveu fazer um ajuste fiscal e afeta o resto. Nós temos consciência que vamos cuidar desta crise como se cuida de um filho. Nós não vamos permitir que a inflação volte. Nós, que somos trabalhadores, temos a obrigação que a inflação não volte neste país. Quem perde com a inflação não é a Dilma nem o Guido [Mantega, ministro da Fazenda]. É quem vive de salário. Temos de ser homens e mulheres guerreiros contra a inflação".

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