quinta, 19 de julho de 2018

LANÇAMENTO

'Não aguento mais ver porrada e correria no cinema'', diz Jabor, às vésperas de lançar filme

26 OUT 2010Por UOL20h:12

Até quando está promovendo o seu novo longa, “A Suprema Felicidade”, Arnaldo Jabor é o bom e velho contestador a quem aprendemos a amar ou odiar pelos seus artigos em jornais e comentários na televisão. Numa sala de cinema, antes de começar a coletiva de divulgação do filme em São Paulo, na tarde desta terça (26), ele reclama pois ainda há uma música ambiente e ninguém consegue ouvi-lo. Mesmo assim, começa a falar, mas percebe que não será ouvido, então dispara. “Caramba, não dá para falar com essa música. Música é pra dançar”. E arrisca uns passinhos, mesmo sentado.

Minutos depois – agora com silêncio – o cineasta comenta que este foi um trabalho difícil de fazer do ponto de vista prático. “É um filme de época, cheio de locações, personagens, figurantes. Já pensou numa cena de escola ter de arrumar 200 uniformes, 200 pastinhas escolares e fazer 200 cortes de cabelo?!”. Mas, com a produção assinada por Francisco Ramalho Jr, o diretor conseguiu contornar esse e outros problemas. E garante: “Fiz um filme que gostaria de ver. Não aguento mais ver porrada e correria no cinema. Tudo virou ‘Transformers’. Estão nos transformando em robozinhos”.

Longe dos cinemas há mais de duas décadas, desde “Eu Sei que Vou te Amar” (1986), Jabor voltou para trás das câmeras depois de um período na frente delas e como cronista e articulista de jornais e revistas. Conhecido por seus comentários ácidos, o cineasta admite que estava com vontade de ‘dar um tempo nisso’. “Às vezes é preciso parar, deixar de lado Sarney, Renan... Eu adoro fazer jornalismo, nunca quero abandonar, mas cinema é outra coisa”.

“A Suprema Felicidade” narra a trajetória de Paulo em três momentos de sua vida. Nesse caminho, presentes sempre estão os pais (Mariana Lima e Dan Stulbach), a avó (Elke Maravilha) e o avô (Marco Nanini), que mais se destaca na vida do rapaz. Apesar do olhar para o passado e de vários toques autobiográficos, o diretor e corroteirista confessa que tentou falar de coisas que viveu e estão presentes na vida de hoje. “Não escolhi o tema do filme. Foi nascendo na minha casa, como uma planta. Escrevi o texto sobre minha família, meus pais, avós e primeiras experiências sexuais. O filme acabou surgindo da minha experiência como jornalista”.

Mulheres estrelas, homens espectadores

No filme, a vida de Paulo é cercada por mulheres, com quem Jabor afirma ter aprendido muito ao longo de sua vida. “As mulheres são estrelas. Os homens ficam olhando para aprender”.

Maria Flor e Jayme Matarazzo em cena do filme ''A Suprema Felicidade", de Arnaldo Jabor

Mariana, que interpreta a mãe do protagonista, conta que, com a ajuda do diretor, procurou o lado humano da personagem, para que ela não se transformasse num tipo. “Ela era uma mulher típica da década de 1950, cuja liberdade foi abafada pelo marido”, define.

Já Tammy di Calafiori, que interpreta uma dançarina de cabaré que imita Marilyn Monroe e se torna objeto do desejo de Paulo, conta que precisou de alguns meses de preparação – especialmente para as cenas em que dança nua. “Fiz contato com muitas garotas que trabalham com isso, conversei com elas. Pesquisei muito para entender o personagem e estar confortável na hora de fazer a cena. Não podia mostrar nenhum tipo de constrangimento, afinal, minha personagem faz isso todo dia”.

Entre os homens que convivem com essas mulheres está o ator Jayme Matarazzo, que vive Paulo, no final da adolescência e começo da vida adulta. Ele divide o personagem com outros dois atores, Caio Manhente (quando criança) e Michel Joelsas (pré-adolescente). “Foi preciso muita conversa e interação entre a gente. Sempre os observei atuando, e eles a mim, para podermos manter uma linha de raciocínio do Paulinho”.

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