domingo, 15 de julho de 2018

Segundo turno

Na reta final, Serra aposta na transferência de votos

17 OUT 2010Por ESTADÃO02h:40

A mobilização dos governadores vitoriosos no primeiro turno nos dez maiores colégios eleitorais do País aponta um potencial de transferência de votos extremamente favorável para o tucano José Serra no segundo turno.

 Na comparação dos votos que recebeu na disputa presidencial com os obtidos por esses governadores aliados vitoriosos, o candidato do PSDB poderá herdar cerca de 6 milhões de votos. A larga maioria desse potencial de transferência se concentra em Minas Gerais e São Paulo.

No caso da petista Dilma Rousseff, o potencial de transferência de votos é mais modesto, mas não pode ser desprezado. Se conseguir captar a ajuda dos governadores eleitos alinhados com sua campanha, a petista poderá faturar mais 1,8 milhão de votos, especialmente no Rio de Janeiro e Pernambuco.

O problema é que os principais colégios eleitorais já definiram suas disputas no primeiro turno. Dos dez Estados que concentram mais eleitores do País, apenas o Pará terá confronto no segundo turno. Isso obriga o governador eleito a ter realmente disposição para operar politicamente nessa fase da campanha para que a transferência se concretize, já que não precisa mais colar sua própria campanha com a do candidato presidencial.

Nesse caso, o engajamento dos tucanos mineiros, liderados pelo senador eleito Aécio Neves e pelo governador reeleito Antônio Anastasia, pode alterar o panorama da disputa local. No primeiro turno, quando priorizaram as próprias eleições, os tucanos mineiros não desestimularam a existência do chamado voto "Dilmasia", que reunia na mesma chapa o apoio para Dilma e Anastasia. Agora, com suas eleições resolvidas e a aliança formada por PT e PMDB esfacelada na região, Aécio e Anastasia passaram a concentrar seu trabalho em transferir votos para Serra no segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

Em Minas, Antônio Anastasia foi reeleito com 6,3 milhões de votos. Serra ficou muito abaixo desse patamar no primeiro turno. De fato, somou apenas 3,3 milhões de votos e sequer foi o mais votado entre os mineiros, perdendo para a petista Dilma Rousseff, que teve 5 milhões de votos no Estado. Se conseguir chegar ao tamanho obtido por Anastasia no primeiro turno, o tucano ganharia expressivos 3 milhões de votos.

Em São Paulo, que concentra mais de 30 milhões de votos, o governador eleito Geraldo Alckmin assumiu o papel de tentar impulsionar a campanha de Serra. Alckmin foi eleito com 11,5 milhões de votos, Serra foi o mais votado entre os paulistas, mas ficou 2 milhões de votos abaixo desse patamar, com 9,5 milhões de votos.

Do lado de Dilma, as duas maiores apostas estão no Rio de Janeiro, onde Sérgio Cabral Filho (PMDB) foi reeleito governador com 1,4 milhão de votos a mais do que obtido pela petista, e em Pernambuco, onde o governador Eduardo Campos (PSB) pode transferir mais 700 mil votos para sua candidatura.

O Rio Grande do Sul também pode ajudar na transferência, através do governador eleito Tarso Genro. O ex-ministro da Justiça conseguiu uma vitória com 400 mil votos a mais do total alcançado por Dilma entre os eleitores gaúchos.

A situação da petista não é tão favorável porque em várias disputas ela já teve votação muito grande no primeiro turno. No Ceará e em Santa Catarina chegou a ter mais votos do que seus candidatos ao governo conseguiram. Na Bahia, outro importante colégio eleitoral, igualou o que o governador Jaques Wagner (PT) garantiu para ser reeleito.

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