Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

MÚSICA NEGRA

Músico busca evidenciar o soul e o funk

17 MAI 2011Por OSCAR ROCHA00h:02

O músico campo-grandense Otávio Neto, 36 anos,  tem um sonho: realizar um festival de jazz na Capital, unindo representantes locais e de fora em apresentações e workshops. Seria a maneira de fomentar cenário regional em torno do jazz  e de outros ritmos da música negra americana, como o soul e o funk.

Enquanto a ideia não ganha corpo definitivo, Otávio não perde tempo esperando. Prefere fomentar a tal cena de suas paixões musicais por meio dos projetos que participa: Jazz de Quinta e Aldeia Black. O primeiro é a reunião semanal de músicos conhecidos da cidade, apresentando temas do jazz fusion, bebob, além do blues e do soul. A outra  formação existe há seis anos e tem a identidade marcada pelo soul e funk. Na sexta-feira, numa apresentação especial, denominada “Good times”, a Aldeia Black terá a participação especial de Jadiel Oliveira, atualmente vocalista da banda carioca Black Rio, uma das mais importantes da história da black music no Brasil.

Otávio, que iniciou musicalmente aos 5 anos, tocando violão, conta com currículo expressivo dentro do segmento que está inserido. Durante dois anos atuou como diretor musical do grupo Fat Family, importante divulgador dos sons negros americanos no Brasil nas décadas de 1900 e 2000. “Foi um período muito importante da minha carreira. Pude viajar para várias partes do País, tendo contato com músicos talentosos”, lembra. Os primeiros passos musicais de Otávio foram empreendidos em casa. O pai, pastor de igreja evangélica, sempre cantou, enquanto a mãe é instrumentista.

Durante a infância e adolescência participou de bandas que animavam cultos religiosos. A fase, segundo ele, lhe trouxe experiência. “Foi aí que aprendi a cantar, entender a dinâmica de tocar”.  O primeiro contato com a black music aconteceu por meio do cantor e compositor Ed Motta, aos 15 anos,  mas o som que lhe abriu as possibilidades do groove e do balanço negro foi o grupo inglês Incógnito, que despontou nos anos 90. “A partir daí pirei, comecei a me interessar mais pelo passado da música negra, as raízes. Ouvi  muita coisa  da Motown. Também me interessei por brasileiros influenciado por esse tipo de som – Tim Maia, Hyldon, Cassiano, entre outros”, lembra o músico.

Os achados dessa fase podem ser percebidos no repertório e o estilo da Aldeia Black. O grupo, que conta com Otávio no vocal e teclado, além de Alex Mesquita (baixo) e Adriel Santos (bateria), repassa criações dos principais nomes do som negro. A apresentação de sexta-feira, com Jadiel, também marcará a estreia do duo de metais na formação – Júnior (saxofone) e Silas Negrete (trompete). “O Jadiel mostrará seu trabalho destacando os principais nomes do soul brasileiro e ainda coisas da Black Rio. O Aldeia ainda destacará temas instrumentais e canções próprias”. O Aldeia Black pretende lançar este ano o primeiro álbum, com faixas inéditas, misturando português e inglês, e composições instrumentais.

O show acontecerá, às 22h30min no Voodoo –  Rua 13 de Junho, 945. No mesmo  local, na quinta-feira, Otávio participa do Projeto Jazz de Quinta ao lado de  Sandro Moreno (bateria), Alex Cavalheri (teclado), Adriano Magoo (teclado), Gabriel Basso (baixo), Gil Basso (guitarra) e Bianca Bacha (vocal). O repertório é didático para entender alguns momentos do jazz, funk, soul e blues: Herbie Hancock, Jaco Pastorius, Pat Metheny, Etta James, George Benson, Billie Holiday, Amy Winehouse, entre outros. “O projeto existe há cerca de um ano e tem sido muito legal. Faixas etárias diferentes se encontram. Tem aquele pessoal mais velho que vai para ouvir coisas que eles não ouviam há algum tempo e os mais novos que estão entrando em contato agora, descobrindo o jazz e outros tipos de música”, destaca. Quanto ao festival de jazz em Campo Grande, Otávio diz que o evento ainda está em estágio embrionário, buscando parceiros. “Tenho certeza que dará impulso a cena musical daqui”, avalia.               

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