ARTE NA REPRESSÃO

Museu de SP mostrará arte produzida durante a ditadura

Museu de SP mostrará arte produzida durante a ditadura
20/03/2011 12:42 - AGÊNCIA BRASIL


A arte brasileira que foi produzida no período da ditadura militar é o foco da exposição Um Dia Terá Que Ter Terminado, que está em cartaz no Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Ibirapuera, em São Paulo. A exposição é a segunda de uma série de três que pretendem investigar a formação do acervo do museu, fundado em abril de 1963, e também refletir sobre o papel desempenhado pelos museus públicos de arte sob o regime militar.

“A exposição faz também uma autocrítica institucional: como é que o museu pode ser uma plataforma de reflexão e de resistência, do ponto de vista artístico, num panorama político e social de exceção como foi aquele período”, disse Cristina Freire, uma das curadoras da exposição, em entrevista à Agência Brasil.

A primeira exposição da série (focada nos anos de 1964 até 1968 e chamada de Entreatos) tratou da constituição do museu no início da ditadura militar. Esta segunda exposição, com curadoria de Ana Magalhães, Cristina Freire e Helouise Costa, aborda o período entre 1969 e 1974, tratando do recrudescimento do regime militar. Nessa época, o museu se consolidou como um espaço democrático de repercussão internacional principalmente por ser um dos maiores polos de recepção e produção de arte contemporânea do hemisfério sul.

Cristina Freire disse que as obras que estão em exposição não são necessariamente políticas. “Temos (em exposição) o que se estava fazendo de arte no Brasil (naquele período) e essas obras não necessariamente  têm conteúdo político explícito. Temos o que os artistas estavam trabalhando no Brasil e que foi, de alguma maneira, incorporado ou entrou no acervo do museu e ficou como narrativa dessa história do ponto de vista artístico”, afirmou.

Uma das obras que representam bem esse período é São Sebastião (Marighella), de Sérgio Ferro. O nome da exposição deriva de trecho de uma carta escrita pelo artista ao então diretor do museu, Walter Zanini, antes de sair para o exílio. Na carta, Ferro solicita que sua obra seja protegida pelo MAC e fala de sua esperança de que a ditadura acabe: “Um dia terá que ter terminado”, escreveu.

“Tomamos essa carta como contexto e que dá um pouco de sentido para o que os artistas estavam fazendo. Nesse caso, a carta tem uma conotação - assim como a obra – eminentemente política e usamos isso como ponto de partida para essa segunda exposição da série”, disse a curadora.

Também estão sendo expostas obras de Julio Plaza, Regina Silveira, Claudio Tozzi e Artur Barrio, entre outros.

A exposição está aberta até o dia 31 de julho, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, no MAC Ibirapuera, com entrada franca. O MAC está localizado no Parque Ibirapuera, no Pavilhão Cicillo Matarazzo, no prédio da Bienal.

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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".