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Murilo deve fortalecer Moka em Dourados em troca de apoio na Capital

Murilo deve fortalecer Moka em Dourados em troca de apoio na Capital
15/04/2010 03:30 -


Maria Matheus

O prefeito Nelsinho Trad (PMDB) disse, ontem, que a intenção do PMDB é fortalecer a candidatura de Murilo Zauith (DEM) ao Senado em Campo Grande para, em troca, o democrata pedir votos para seu possível parceiro de chapa, o deputado federal Waldemir Moka, em Dourados. Se aceitar concorrer na chapa majoritária do governador André Puccinelli, Murilo deve fazer dobradinha com Moka para o Senado. Mas, no meio político, a avaliação é de que apenas um dos dois vai se eleger. Este ano, duas vagas de senador por Mato Grosso do Sul estão em disputa, mas a reeleição de Delcídio do Amaral é tida como praticamente garantida.
Nelsinho, no entanto, discorda do senso comum. “Em eleição, não se pode afirmar isso”, declarou. “Delcídio é favorito, mas e se isso mudar? Quantas vezes a gente já viu começar de um jeito e terminar de outro?”, questionou.
Para o prefeito, a chapa de Puccinelli tem musculatura para nocautear Delcídio e seu parceiro de chapa, Dagoberto Nogueira (PDT), e emplacar dois senadores. “Se tem duas vagas, nós temos que eleger os dois. Pelo menos eu, se estivesse à frente dessa história, ia lutar para isso”, comentou.

Nomes
Apesar do entusiasmo pela candidatura de Murilo, o nome do suplente do democrata ainda não foi escolhido. Ontem, o prefeito se reuniu com o vereador Airton Saraiva, presidente municipal do DEM, para falar do assunto. “A conversa foi animadora”, comentou o vereador, sem dar mais detalhes. Ele disse apenas que Nelsinho sugeriu alguns nomes. “Ficamos de definir até sexta-feira”, afirmou.
O prefeito, porém, assegurou não ter citado nomes. “Estamos analisando com cautela, com critério, para compor essa chapa da melhor forma possível, afim de fortalecer a campanha de Murilo em campo grande e o Murilo fortaleça a candidatura do Moka em Dourados”, declarou. “Essa linha é importante: fortalece Murilo aqui, porém Murilo fortalece Moka lá”, frisou.

Abacaxi
Nelsinho também evitou falar da condição imposta pelo DEM de a primeira-dama, Antonieta Trad, recusar a suplência de Moka para que Murilo aceite entrar na disputa. Para os democratas, Antonieta desequilibraria a batalha eleitoral em Campo Grande, porque com ela, daria a Moka o peso eleitoral da família Trad. Conforme esse raciocínio, sem Antonieta no páreo, e se o governador conceder “tratamento igual” aos dois candidatos, Murilo teria condições de vencer Moka e conquistar uma das vagas ao Senado.
“A disputa não é entre Moka e Murilo. São duas vagas. A disputa é entre Dagoberto e Delcídio e (contra) Moka e Murilo. É isso que tem que ser avaliado”, rebateu o prefeito. Ele admitiu, entretanto, a importância de Moka ter um suplente que arregimente votos na Capital. “Até porque o Moka é um cara que tradicionalmente vem forte do interior, na Capital ele não tem tanto voto. E aí, a Antonieta supriria isso”, reconheceu.
Antonieta já tinha aceitado a proposta de Moka antes de o DEM pedir que ela não disputasse. Ela, inclusive, fez campanha para o deputado federal nas prévias em que ele derrotou o senador Valter Pereira na briga pela vaga de candidato ao senado pelo PMDB. Consciente do imbróglio, Nelsinho passou o abacaxi adiante: “Isso é uma questão a ser resolvida pelo Moka e pelo governador”.

Felpuda


Certa pré-candidatura à Prefeitura de Campo Grande nasceu com grandes brechas que certamente serão usadas pelos adversários no período da campanha eleitoral, segundo voz corrente nos bastidores políticos. Uma delas: como o postulante vai dizer que fará boa administração se no período em que administrou conhecida instituição passou boa parte do tempo reclamando de crise financeira e ameaçando fechar as portas?