Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Campo Grande - MS, terça, 11 de dezembro de 2018

EGITO

Mulheres podem ficar à margem das mudanças

8 MAR 2011Por AGÊNCIA EFE14h:57

As mulheres correm novamente o risco de serem marginalizadas e de não poderem participar da construção de um novo Egito, após as revoltas que acabaram com décadas de ditadura, advertiu a Anistia Internacional (AI).

Por causa do Dia Internacional da Mulher, a diretora geral do Programa de Direito Internacional e Política da AI, Widney Brown, escreveu um artigo de opinião no qual alerta que "por incrível que pareça (...), se está negando às mulheres um papel na criação de um novo Egito".

"As mulheres são excluídas tanto pelo Governo provisório como pela comunidade internacional. O novo comitê nacional criado recentemente para redigir a nova Constituição egípcia é integrado só por homens. Isto não é aceitável", diz Brown.

Para Brown, este comportamento "delata um sentido do paternalismo que bem conhecem as mulheres egípcias, que passaram décadas vivendo sob um Governo opressor respaldado por Estados que supostamente respeitam os direitos".

O responsável da AI ressalta que todos os Governos "devem comprometer-se com o respeito da igualdade da mulher, na lei e na prática" e adverte que "as mulheres só terão essa igualdade se participarem ativamente em todas as negociações e decisões tomadas neste período de transição".

"Para que a promessa de mudança se transforme na realidade no Egito e em todos os demais países da região - e do mundo -, devem sentar-se à mesa mulheres de diversas procedências e tendências políticas como sócias de pleno direito", argumenta Brown.

Nas revoltas dos últimos meses no mundo árabe, lembra, "as mulheres estavam junto aos homens, exigindo o fim da repressão política e reivindicando uma reforma radical".

"Tanto as mulheres como os homens sofreram sob estes Governos repressivos, mas as mulheres tiveram que padecer, além disso, leis discriminatórias e uma desigualdade de gênero profundamente arraigada", assinala a diretora geral da AI.

"A ninguém estranha, portanto, que as mulheres saíssem à rua. Que aclamassem ruidosamente a queda de Mubarak. Ou que quisessem crer na promessa de um novo amanhecer na política egípcia. Mas ainda está por vir quanto vai mudar realmente para as mulheres no Egito", acrescenta.

Brown é crítica com os Governos ocidentais que "só parecem apoiar os direitos da mulher quando lhes convém" e denuncia que "estes direitos se utilizam frequentemente como trunfo nas negociações, na luta pelo controle da agenda internacional".

"Quando as negociações com os talibãs parecem uma boa medida, de repente os direitos da mulher deixam de importar tanto. Quando necessitam ao Paquistão como aliado, aceitam que o Governo paquistanês dê autonomia a regiões do país onde o sistema legal paralelo trata com total injustiça às mulheres", diz.

"E no Iraque - afirma - fazem alianças com milícias que em seus momentos livres atacam e matam a ativistas dos direitos da mulher".

Brown lembra que há 100 anos mais de um milhão de pessoas se manifestaram nas ruas da Europa no primeiro Dia Internacional da Mulher, para pedir o fim da discriminação e que as mulheres tivessem os mesmos direitos que os homens.

"Cem anos depois, a realidade é que as mulheres seguem tendo muito mais probabilidades de serem pobre", explica.

"Têm mais probabilidades de serem analfabetas. Ganham só 10% da renda mundial, mas realizam dois terços do trabalho mundial. Produzem até 80% dos alimentos nos países em desenvolvimento, mas só são proprietárias de 1% da terra", diz.

"As mulheres da Arábia Saudita, Chechênia e o Irã sofrem assédio se não cumprirem os códigos indumentários religiosos conservadores. Na Bélgica, França e algumas partes da Espanha, as mulheres muçulmanas que assim cumprirem, infringem agora a lei", indica.

Além disso, as mulheres que lutam pela mudança "costumam deparar com o escárnio, os abusos ou algo pior".

"Em lugares como a Rússia, Filipinas, México e Nepal, se assassinou ativistas por falar em voz alta. Na China, Bangladesh, Índia, Zimbábue e muitos outros países, as mulheres são detidas e sofrem tortura habitualmente", enumera a especialista da AI.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também