sábado, 21 de julho de 2018

Mulher fumante tem mais chance de sofrer transtorno mental

12 FEV 2011Por Diário da Saúde04h:29

Mulheres fumantes têm um risco maior de sofrer de Transtorno Mental Comum (TMC), em relação às não fumantes.

Da mesma forma, mulheres que não fumam e que sofrem de TMC também têm mais chances de adquirir o hábito de fumar.

O TMC é um transtorno causado por uma ruptura do funcionamento normal das funções neurológicas, tendo como sintomas, por exemplo, o esquecimento e a dificuldade de concentração.

Mas, no caso do universo masculino, não foi possível encontrar essa associação entre tabagismo e Transtorno Mental Comum.

Segundo a psicóloga Danuta Medeiros, da Faculdade de Saúde Pública da USP, perceber essa "singularidade de gênero" é um grande passo para que programas de cessação do tabagismo sejam melhor sucedidos.

"Já que temos a constatação dessa diferença, podemos pensar em fazer as campanhas de maneira mais direcionada, clara e efetiva", afirma a pesquisadora.

Transtorno mental ligado ao cigarro

Em seu estudo, orientado pelo professor Chester Luiz Galvão César, Danuta aponta que apenas tratando-se das mulheres é possível relacionar o tabagismo ao transtorno mental.

Segundo o trabalho, os sintomas do TMC são muito parecidos com os da abstinência ao cigarro de nicotina.

"O TMC é um transtorno mental de difícil diagnóstico, uma vez que apresenta sintomas corriqueiros, que passam despercebidos no dia-a-dia. Por conta disso, os sintomas do TMC podem até ser confundidos com os sintomas causados pela abstinência do fumo em tabagistas. Irritabilidade, ansiedade, insônia, e queixas de dor de cabeça, são alguns deles", explica Danuta.

Essas constatações foram obtidas por meio da análise de cerca de 3.350 entrevistas, com homens e mulheres de 16 anos ou mais, contidas no Inquérito de Saúde do Município de São Paulo, que envolve uma avaliação feita por profissionais de saúde baseada nas respostas das pessoas a um questionário domiciliar.

De acordo com o trabalho, somente após a década de 1960 as pesquisas relacionadas ao tema tabagismo começaram a associá-lo a outras doenças, principalmente por causa do "império da publicidade do tabaco", que perdurou até além dessa época.

Os estudos da psicóloga relevam a importância dessa visão 'pós anos 1960', alertando para um cuidado ainda maior nos diagnósticos. "Muitas vezes os sintomas do TMC ou do Tabagismo são vistos como "frescura" pelo senso comum, não sendo devidamente tratados", aponta Danuta.

 

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