Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

COXIM

Mulher de mecânico morto a machadadas diz que viveu com 'um monstro'

13 ABR 2011Por Sheila Forato/Edição de Notícias13h:35

Silvana Pereira de Amorin, de 39 anos, e Fernanda Aparecida de Amorin dos Santos, mãe e filha, respectivamente, do mecânico José Aparecido dos Santos, de 50 anos, se apresentaram ao delegado Amylcar Eduardo Romero. Acompanhadas do advogado, Elio Toneto Budel, as duas chegaram à delegacia de Coxim na manhã desta quarta-feira (13).

Em entrevista concedida ao Edição de Notícias, Silvana relatou que durante 13 anos viveu com um monstro, sob constante pressão. “Eu e minhas filhas vivíamos praticamente em prisão domiciliar. Não tínhamos amigos e sequer podíamos conversar com vizinhos”, comentou a mãe.

Silvana disse que ficou sabendo que o marido forçara Fernanda a manter relação sexual com ele no dia do crime. Na noite de sábado (09), o casal conversava no quintal de casa quando Santos chamou Fernanda e confessou o que fazia para Silvana.

“Eu fiquei muito nervosa, chorava, tremia, fui tomada por uma revolta muito grande e no desespero peguei um machado e dei o primeiro golpe”, contou a mãe, chorando muito ao reviver a cena do crime.

Conforme Silvana, depois do primeiro golpe Santos caiu no chão e ameaçou matar mãe e filhas. Foi quando Fernanda pegou a chave de rodas e deu mais um golpe em Santos, que recebeu mais machadadas de Silvana depois.

Desesperadas, mãe e filhas fugiram de casa. De acordo com Silvana, o crime aconteceu por volta das 23 horas. O casal também tem uma filha de 12 anos, que já sofria com os abusos praticados por Santos. Com a adolescente, o pai não chegou a manter relação sexual.

Fernanda também conversou com o Edição de Notícias. A jovem relatou que sofria com os abusos do pai desde os 7 anos. “Eu sentia nojo quando ele se aproximava de mim”, confessou Fernanda. A jovem conta que nunca teve coragem de contar para mãe, pois sempre era ameaçada.

“Meu pai dizia que se eu contasse alguma coisa para minha mãe mataria nós três. Chegava ao ponto de fazer gestos para mostrar como cortaria nossas cabeças”, disse Fernanda. A jovem bem que tentou se livrar, a contragosto se casou, mas sofreu na mão do marido por dois anos e resolveu voltar para casa.

Apesar de não esconder a tristeza pelo ocorrido, para Fernanda a vida começa agora. “Eu só quero ter uma vida normal, estudar e trabalhar para ajudar minha família”, comentou a jovem.

Depois de ouvidas, mãe e filha foram liberadas. O delegado não deve pedir prisão, pois Silvana e Fernanda se comprometeram a colaborar com o andamento do processo.

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