Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

Mudança em seção dificulta acesso à votação no Pantanal

2 OUT 2010Por 00h:15

Sílvio Andrade, Corumbá

Apesar dos avanços tecnológicos nas eleições brasileiras, como a transmissão de dados via satélite e o uso de urnas eletrônicas, os eleitores do Pantanal estão privados de exercer sua cidadania. As seções instaladas na planície de Corumbá, maior município do ecossistema, foram extintas pela Justiça Eleitoral, na última década, devido às dificuldades de acesso e baixo índice de votantes.
A última seção extinta, a do Forte Coimbra, onde o acesso é apenas por avião ou barco, funcionou até a eleição de 2006. As seções eram instaladas em sedes de fazendas, escolas e na unidade de pesquisa da Embrapa Pantanal (fazenda Nhumirim). O deslocamento era feito em aviões cedidos pelos fazendeiros ou barcos do Exército e Marinha.
Por rádio, a Justiça Eleitoral informava os moradores da planície sobre o processo eleitoral e os eleitores se deslocavam para a seção, no dia da eleição, em cavalos, barcos, tratores ou carro de boi, sem conhecer os candidatos.

Justificativa
A Justiça Eleitoral alegou, para extinguir as seções, que as mesmas não poderiam funcionar em propriedades particulares — além do custo de deslocamento do cartório eleitoral, poucos eleitores e falta de comunicação. Corumbá tem 1.800 fazendas, a maioria na planície, que empregam cerca de cinco mil pessoas. A região também possui várias colônias e mais de 200 famílias de ribeirinhos.
Para o Sindicato Rural de Corumbá, a medida é um retrocesso. Os peões deixaram de votar porque a passagem nas lanchas custa até R$ 50, da fazenda à cidade, preferindo justificar o não-comparecimento à seção, no prazo de 120 dias. Segundo a chefe da 50ª Zona Eleitoral, Eduarda de Sá Lucena, uma das alegações é a falta de transportes.

Única seção
Os eleitores de Coimbra, menos de 200, entre militares e civis, teriam que percorrer quatro horas de barco, pelo Rio Paraguai, e 70 km pela BR-262 até Corumbá. O cartório eleitoral montou uma mesa na fortificação para garantir a justificativa, informou o chefe da 7ª Zona Eleitoral, Marcos Roberto Acosta. A seção do forte agora funciona no Moinho Cultural, Porto Geral da cidade.
A única seção mantida na planície é a 175, no distrito de Porto Esperança, região ribeirinha situada a 10 km da BR-262 e com acesso apenas por água e pela ferrovia. São 124 eleitores, mas a eleição de 2008 registrou 63 votos válidos, nove nulos e três brancos. Pela primeira vez os votos desta seção serão transmitidos via satélite – anteriormente eram levados em disquete à mesa apuradora.

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