Campo Grande - MS, sábado, 18 de agosto de 2018

contra o narcotráfico

MS reforça policiamento na fronteira com o Paraguai e Bolívia

30 MAR 2011Por THIAGO GOMES00h:02

Mato Grosso do Sul vai reforçar o policiamento nas regiões de fronteira com o Paraguai e Bolívia, intensificando o combate ao tráfico de drogas e armas, assim como ao contrabando. A medida alinha-se às estratégias da política de segurança pública do Governo federal, que ontem enviou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à La Paz, Capital da Bolívia, para assinatura de um acordo de cooperação na repressão ao narcotráfico e ao crime organizado. Tanto é o interesse do Estado, que também mandou o seu secretário de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, ao país vizinho.

Jacini juntou-se ao ministro José Eduardo Cardozo em La Paz, acompanhando-o em sua agenda internacional. Além de representar Mato Grosso do Sul, o secretário também participou do encontro como presidente do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), cargo em que tomou posse recentemente durante encontro de secretários em Brasília.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU), indicam que o cultivo de cocaína na Bolívia chega a ocupar 30.900 hectares, sendo apenas 12 mil consideradas legais (produção para rituais religiosos andinos). O país é considerado o terceiro maior produtor mundial de cocaína, depois do Peru e Colômbia, daí a necessidade de um estreitamento nas ações de repressão, tanto por parte do Governo federal quanto pelo Mato Grosso do Sul, que tem Corumbá como porta de entrada do entorpecente que vem daquele país.

 Apoio

Por conta da necessidade de reforço em sua atuação policial, o Governo do Estado está insistindo junto ao Ministério da Justiça para que sejam reativados os convênios de implantação do Projeto Pefron (Policiamento Especializado de Fronteira), suspensos no final do ano passado.

Essa reativação foi objeto de conversa entre o governador André Puccinelli e o ministro José Eduardo Cardozo quando de sua vinda à Campo Grande, no início do mês.

Jacini lembrou que o Governo federal vem implementando o Projeto Pefron, direcionado aos estados que tem municípios situados em linhas de fronteira, visando o enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e munição.

Outra evidência da preocupação federal com as áreas fronteiriças surgiu no último dia 15, quando o Ministério da Justiça autorizou a permanência da Força Nacional de Segurança Pública no Mato Grosso do Sul, visando o seu emprego no combate ao tráfico de drogas e armas nas regiões de fronteira com a Bolívia e Paraguai. O trabalho da Força Nacional, num prazo de 90 dias, prorrogável se necessário, deverá ser desenvolvido em conjunto com a Polícia Federal.

Paralelamente, aguarda-se a ativação do Sistema de Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), ferramenta tecnológica que irá auxiliar os serviços de inteligência da Polícia Federal, aprimorando o trabalho de monitoramento da fronteira brasileira com o Paraguai e a Bolívia. O sistema estava previsto para entrar em funcionamento neste mês, o que ainda não aconteceu. Duas aeronaves não tripuladas devem ser empregadas no trabalho de fiscalização, pela Polícia Federal, a partir de uma base montada no Estado, mais especificamente no núcleo Itamaraty, em Ponta Porã.

Fronteiras secas

O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, revelou que foi lembrado ao Governo federal, por intermédio de documento enviado ao Ministério da Justiça, que Mato Grosso do Sul tem 12 municípios, com população estimada em 400 mil habitantes, que estão localizados em fronteiras secas com cidades paraguaias e bolivianas, numa extensão de 1.517 quilômetros.

O Estado sustenta que em razão de sua situação estratégica para o efetivo enfrentamento do crime organizado, o Governo federal precisa dar um tratamento diferenciado ao Mato Grosso do Sul, a fim de estabelecer uma primeira linha de combate aos crimes transfronteiriços.

Recursos

No final do ano passado, o Projeto Pefron foi suspenso para análise e realinhamento, deixando Mato Grosso do Sul de ser contemplado com recursos previstos para a construção da sede do DOF, modernização das comunicações desse mesmo departamento, aquisição de viaturas e de materiais e equipamentos necessários à execução da atividade policial. (TG)

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