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Campo Grande - MS, sábado, 15 de dezembro de 2018

MS deve tornar-se o 3º maior produtor de milho do País

8 ABR 2010Por 20h:34

ADRIANA MOLINA

 

Neste ano, Mato Grosso do Sul deve consolidar-se como o terceiro maior produtor de milho safrinha do País, com 12,3% da produção brasileira, estimada em 20,7 milhões de toneladas. O Estado conquista o posto mesmo com área 12,2% menor, totalizando 750 mil hectares, porém, com produção quase 41% superior, de 2,5 milhões de toneladas do grão − o que mostra o empenho dos agricultores, até então penalizados pelos baixos preços, mas que mesmo assim resolveram investir em qualidade, alcançando produtividade 60% maior, de 3,4 mil quilos por hectare.

Os números fazem parte do 7º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal aposta em clima favorável e na utilização de tecnologias para o incremento da produção no Estado. Segundo o superintendente regional, Sérgio Rios, "a previsão é de inverno com curto período de frio, o que deve colaborar muito com a produtividade, reduzindo significativamente as perdas com geadas e baixas temperaturas, que normalmente afetam a safrinha. O contexto deverá compensar o decréscimo na área plantada", avaliou.

Por conta dos baixos preços, que chegaram à casa dos R$ 12 a saca de 60 quilos nos últimos meses, os estoques do grão da última safra ficaram encalhados à espera de melhor remuneração e a área da safrinha foi reduzida pela descapitalização do produtor gerada pela situação. De acordo com o corretor de grãos Carlos Dávalos, são quase 204 mil toneladas restantes do ano passado, que aliados a mais 393 mil da safra de verão e 2,5 milhões da próxima safrinha, totalizam cerca de 3,097 milhões de toneladas ainda a serem comercializadas em 2010.

"Do montante, apenas um milhão tem destino certo: a demanda interna. O restante ainda precisa de mercado, que provavelmente terá o apoio do governo federal, inclusive exportando para poder desafogar os armazéns brasileiros", explica Dávalos. Atualmente o governo garante preço mínimo de R$ 17,46 nos contratos de Aquisição do Governo Federal (AGF), porém, o que é adquirido nesse sistema acaba sendo estocado no País, não podendo ser exportado, o que leva as comercializações sem garantia de preço mínimo, como o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) e o Prêmio de Escoamento do Produto (Pep) − também anunciadas pelo governo federal.

Segundo o corretor, o preço considerado justo pelos agricultores pela saca de milho, que cobriria os custos de produção e daria ainda margem de lucro satisfatória, seria em torno de R$ 15,50 − R$ 3,00 a mais que o praticado hoje.

 

Trigo

Outro produto que vive realidade decrescente na área plantada por conta de baixos preços, porém também com melhor produtividade e produção em Mato Grosso do Sul é o trigo. Na safrinha passada foram 46,2 mil hectares cultivados e nesta a previsão é de 42,4 mil − redução de 8,2%, conforme a Conab. A produção deve ser 7,6% maior, totalizando 72,6 mil toneladas.

Entretanto, não há mercado para receber o trigo no Brasil, que importa cerca de 50% do produto, por conta dos preços menores praticados em países vizinhos, como o Paraguai. "Embora os preços estejam bons para os agricultores aqui, cerca de R$ 650 a tonelada, não há escoamento, porque o trigo importado chega a custar R$ 330 a tonelada. Por isso, o plantio de trigo tem se tornado uma cultura comprometida no Estado", explica Dávalos.

 

Total

A safra 2009/2010 de Mato Grosso do Sul deverá ser 18,3% maior que a de 2008/2009, totalizando 8,4 milhões de toneladas de grãos. A soma da produção de algodão, arroz, feijão, milho, soja, sorgo e trigo, cultivados entre safra de verão e inverno, representam 5,7% da produção brasileira, estimada em 146,3 milhões de toneladas. O montante é 8,3% maior que os 135 milhões produzidos no ano passado.

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