Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

CULTURA/EDUCAÇÃO

MS conta com 86 bibliotecas públicas

13 DEZ 2010Por Thiago Andrade00h:10

Qual a primeira imagem que vem a sua cabeça quando se ouve a palavra "Alexandria"? Existem grandes chances de você ter pensando na Biblioteca de Alexandria, uma das maiores do mundo antigo, destruída por um incêndio. Outra biblioteca que se tornou famosa, ainda que só no mundo imaginário, é a Biblioteca de Babel, do conto homônimo do escritor argentino Jorge Luis Borges. Nele, o autor brinca com as semelhanças entre o universo e as prateleiras cheias de livros e informações. Mas por que falar de bibliotecas?

No final da semana passada, o Ministério da Cultura (MinC) estabeleceu, por meio de publicação no Diário Oficial da União, que somente municípios que tiverem bibliotecas públicas administradas pelas prefeituras em pleno funcionamento poderão receber recursos do ministério. Os dados provêm do 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, divulgado em abril deste ano, que apontava que 420 cidades do País não tinham espaços públicos para armazenar livros. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou a pesquisa.

Em Mato Grosso do Sul, todos os municípios contam com bibliotecas. Na realidade, alguns deles contam com mais de uma. Ao todo são 86 bibliotecas públicas administradas pelas prefeituras municipais, que contam com auxílio da Fundação de Cultura do Estado (FCMS). "Nos enquadramos naquilo que o MinC pede às cidades brasileiras. Todos os 78 municípios têm bibliotecas em funcionamento. Entretanto, existe muita precariedade em relação aos prédios, acervos e profissionais", critica Sheila Bittencourt Radich, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso do Sul.

Ela acaba de publicar o "Guia do sistema estadual de bibliotecas públicas do Estado de Mato Grosso do Sul", que faz um levantamento de todas as instituições do Estado, com fotos, detalhamentos sobre a estrutura, entre outros. Segundo ela, com o repasse ínfimo destinado às bibliotecas públicas e com a falta de cuidado que os municípios têm com seus prédios torna-se difícil melhorar a situação no Estado. "Manter uma biblioteca não é algo barato, pois é necessário sempre atualizar o acervo e manter-se conectado às novidades", pontua.

Mesmo a Biblioteca Municipal Professora Ana Luiza Prado Bastos, em Campo Grande, sofre com dificuldades financeiras. "Estamos criando meios para obter novos lançamentos e não deixar o espaço ficar tão defasado. O valor arrecadado por meio das taxas anuais pagas pelos associados é revertido integralmente para a compra de livros", descreve a bibliotecária Tatiane Nobue Iseky. Tendo sido contemplada com edital de modernização do MinC, a biblioteca recebeu reparos estruturais, mas ainda está longe de operar como se deve.

Tatiane é uma das poucas profissionais graduadas em Biblioteconomia que atuam em órgãos públicos do Estado. Segundo Sheila, apenas outros dois municípios contam com profissionais formados. Em Naviraí, onde existem duas bibliotecas públicas, existe uma bibliotecária concursada trabalhando para o município. "Estamos nos constituindo como cidade universitária, portanto buscamos oferecer o que há de melhor para os acadêmicos daqui", descreve o secretário de Educação, César Martins da Fonseca, referindo-se ao motivo dos concursos.

Já em Costa Rica, a prefeitura contratou uma profissional para atuar junto à biblioteca pública da cidade. "É um quadro complicado, afinal de contas, os profissionais passam anos estudando para atender tanto ao público, quanto às necessidades internas das bibliotecas", defende Sheila. A coordenadora explica que a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul oferece, por meio do Sistema Estadual, cursos de treinamento já que a demanda de profissionais graduados é pequena. "Também fazemos doações anuais de 200 livros, mas isso não abrange todos os órgãos", descreve.

Leia Também