Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

ACESSIBILIDADE

MPF/MS discute dificuldades dos deficientes

18 MAI 2011Por DA REDAÇÃO00h:00

No banheiro, o espelho inclinado deve ficar a 10 cm da pia, as saboneteiras à esquerda do espelho, o papel higiênico a 15 cm da borda do vaso, a lixeira não pode ser acionada por pedal e as portas devem abrir para o lado de fora. Alguns detalhes são previstos pelas normas, mas só são percebidos por quem é deficiente e enfrenta restrições no cotidiano. Detalhes que para a maioria são insignificantes, para as pessoas com deficiência fazem toda a diferença.

Detalhes cruciais como estes foram debatidos anteontem na sede da Procuradoria da República em Campo Grande, em reunião inédita sobre as reformas estruturais nas sedes do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul. É a primeira vez que um órgão público do estado consulta usuários, entidades de pessoas com deficiência e representantes de órgãos engajados em expandir a acessibilidade antes de realizar modificações estruturais em seus prédios. A reunião é uma iniciativa do procurador regional dos direitos do cidadão, Felipe Fritz Braga, e contou com a participação do procurador-chefe do MPF/MS, Ramiro Rockenbach.

Durante a reunião, representantes do Conselho Regional de Arquitetura, Engenharia e Agronomia (CREA), do Fórum Permanente de Acessibilidade em Campo Grande, do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, o autor do blog Acessibilidade na Prática, Frederico Rios, e outras pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência avaliaram os projetos de readequação das sedes do Ministério Público Federal.

A acessibilidade é determinada por lei e definida por normas técnicas. Mas, para o procurador Felipe Fritz Braga, a consulta é importante: “muitas vezes um usuário com deficiência aponta erros no projeto que somente ele, com sua vivência cotidiana, consegue perceber”. Segundo o procurador, as sedes da Procuradoria da República devem ser modelo de acessibilidade.

Os participantes conheceram o projeto de adequação das sedes de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã. A melhor forma de adequar itens como calçadas, escadas, pisos e banheiros foram discutidos detalhadamente. A ideia é que o projeto de debater a acessibilidade antes da reforma ou construção dos prédios seja adotada pelo Ministério Público Federal em todo o país.

Rosana Puga, presidente de Acessibilidade, quer ainda mais. “Espero que esta reunião sirva como exemplo para outros órgãos públicos“, afirma.

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