quarta, 18 de julho de 2018

guerra ao tráfico

Movimento na fronteira ainda sem alteração

1 DEZ 2010Por Sílvio Andrade, Corumbá03h:05

A guerra ao tráfico no Rio de Janeiro não mudou a rotina na fronteira entre Brasil e Bolívia nesta região Oeste, considerada uma das rotas do narcotráfico internacional. O acesso por terra entre Corumbá e a província de Gérman Busch, que integra as cidades bolivianas situadas ao longo da faixa seca entre aquele país com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, não recebeu reforço policial.

A Força Nacional de Segurança Pública está atuando na região desde o mês de março deste ano, auxiliando as ações da Polícia Federal com cinco equipes. Além da revista a veículos e pessoas no Posto Esdras, com o objetivo de coibir o tráfico de armas e drogas e também o contrabando, a unidade militar realiza rondas pelas chamadas estradas "cabriteiras" abertas pelo crime organizado.

A fuga de traficantes dos morros cariocas, no entanto, coloca a fronteira em alerta, considerando a possibilidade de se refugiarem nos países vizinhos, onde o combate às organizações criminosas não é eficiente e torna-se duvidoso pelo envolvimento de policiais e setores de governo com os bandidos. Esta fronteira já tem ramificações de algumas facções, como o PCC (Primeiro Comando da Capital).

As apreensões de cocaína no Posto Esdras e na BR-262 são uma constante, rota dos "mulas" usados pelos traficantes. São, na maioria, bolivianos contratados para transportar a droga até São Paulo e outros centros consumidores. Na semana passada, barreiras da Polícia Federal, DOF (Departamento de Operações de Fronteira) e Força Nacional apreenderam mais de 20 quilos da droga.

A fronteira, no entanto, é vulnerável à ação dos narcotraficantes devido sua extensão – são 3.400 km, de Corumbá a Assis Brasil, no Acre – e uma polícia pouco aparelhada para seu controle, de ambos os lados. O tráfico aéreo e o uso dos rios do Pantanal já estão sendo combatidos pela Polícia Federal, que disponibilizou em Corumbá disque-denúncia, que tem auxiliado na interceptação da droga.

A preocupação manifestada pelo governo boliviano com a fuga dos traficantes do Complexo Alemão, no Rio de Janeiro, concentra-se na fronteira entre San Matias e Cáceres (MT), explicou o cônsul em Corumbá, Juan Carlos Merida. "Aquela região é muito frágil, não tem uma repressão e prevenção das forças de segurança como hoje ocorre em Corumbá", explicou o cônsul.

Merida disse, no entanto, que as autoridades de segurança do seu país já planificam uma ação armada mais ostensiva nesta fronteira, independente da presença da Força Nacional do lado brasileiro. "Será uma ação mais integrada, com patrulhamento também pela faixa de fronteira inundada (no Pantanal)", adiantou o cônsul. Uma reunião está sendo programada em Puerto Quijarro, distante 5 km de Corumbá.

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