Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

INCREDULIDADE

Morte de Bin Laden estimula novas teorias da conspiração

8 MAI 2011Por EFE10h:48

A notícia da morte de Osama bin Laden é agora o mais recente motivo de desconfianças dos céticos americanos, tradicionalmente afeitos a teorias da conspiração tão infundadas como dizer que Elvis Presley não morreu ou que o homem nunca pisou na Lua.

Apesar dos ares triunfais com que Washington anunciou a operação contra Osama bin Laden, não demorou para surgir um batalhão de incrédulos que insistem que o líder da rede terrorista Al Qaeda não está morto, ou pelo menos que a morte não aconteceu conforme relatada pela Casa Branca.

O discurso do presidente Barack Obama sobre a morte de Bin Laden foi categórico, e sua mensagem representou o que milhões de americanos esperavam há quase dez anos. Mas, para os adeptos às teorias da conspiração, a frase "Osama bin Laden está morto" soou com desconfianças.

Como pôde viver o homem mais procurado do mundo em uma mansão nos arredores de Islamabad durante anos sem ser descoberto? Para que tanta pressa em jogar seu corpo ao mar? E, sobretudo, por que se decidiu não publicar as fotografias de seu cadáver?.

Batizados pela imprensa americana de "deathers" - em contraste aos "birthers" que há uma semana questionavam o local de nascimento de Obama, céticos de todas as partes dos Estados Unidos lançam desde segunda-feira essas e outras perguntas na internet.

De pouco serviu a própria rede terrorista Al Qaeda ter confirmado na sexta-feira a morte do líder terrorista. Para os conspiradores, muitos deles também convencidos de que o Governo americano realizou os ataques do 11 de Setembro, a chamada Operação Gerônimo contra Bin Laden não foi mais que uma ferramenta para promover a campanha de reeleição de Obama.

"Bin Laden foi capturado com vida e está sendo interrogado em alguma parte do mundo", assegura o internauta Colin David Leach na comunidade do Facebook "Osama bin Laden NOT Dead" (Osama bin Laden NÃO está morto), que conta com mais de 2 mil seguidores.
Para outros, o líder terrorista foi assassinado há anos e permanece congelado em algum lugar do mundo, enquanto no site "abovetopsecret.com", especializado em teorias da conspiração, o consenso é que a Al Qaeda consiste numa rede "criada pela CIA", o que invalida sua confirmação da morte de Bin Laden.

"Quando nos derem provas concretas e verificáveis, vou considerá-las. Até agora, tudo foram declarações e rumores... e há muitas fontes que contradizem a conveniente história que Obama nos conta", escreve o internauta "Wcitizen" na comunidade do Facebook.
Embora o clamor de muitos dos incrédulos pareça surgir da falta de provas, é "muito improvável" que as visões conspiradoras desapareçam com fotografias ou documentos oficiais, segundo Barna Donovan, professor de Comunicação da Universidade de St. Peter (Nova Jersey) e especialista nesse tipo de teoria.

"Não há quantidade alguma de provas, por suficientes ou sólidas que sejam, que possa fazer mudar de opinião a quem acredita nessas teorias", ressalta Donovan à Agência Efe.
Segundo o professor, trata-se de um fenômeno tão "fascinante" quanto "preocupante", pois atrai pessoas que se sentem "tão alienadas do sentimento geral do mundo" que precisam acreditar que "tudo o que proceder de uma fonte oficial é automaticamente uma mentira".

Mas o ceticismo não provém só dos internautas. Há também uma lista de comunicadores que pouco demoraram a desconfiar da versão oficial e a contestam reiteradamente, advertindo a seus simpatizantes que não deem ouvidos ao que o Governo diz.

Um deles é Alex Jones, famoso locutor de rádio no Texas por seu discurso conservador que acompanhou a notícia da morte de Bin Laden no domingo com a frase: "Amigos, isto é uma completa e total patranha".

O fato de não haver corpo, de que ele teria sido jogado ao mar, é o "ingrediente perfeito", segundo Donovan, para apimentar uma teoria da conspiração, que tem o potencial de durar "décadas".

"Basta ver aqueles que ainda acreditam que o homem nunca chegou à Lua", lembra Donovan. 

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