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PROGRESSO

Moody's avalia Brasil em cortes de gastos

27 MAR 2011Por ESTADÃO15h:40

O progresso do governo do Brasil nos cortes de gastos propostos será fundamental para determinar mudanças na perspectiva do rating de crédito do País, afirmou a Moody''s Investor Services. A agência de classificação de risco que em 2009 elevou o rating do Brasil para grau de investimento, com perspectiva positiva, decidirá no segundo trimestre deste ano se mudará a perspectiva para "estável" ou colocará o rating em revisão para possível elevação.

Além de considerar o compromisso do Brasil com a meta de inflação e as taxas de crescimento de longo prazo potenciais do País, a Moody''s vai se concentrar em quais passos o governo tem tomado para cumprir a promessa de cortar R$ 50 bilhões (US$ 30 bilhões) dos gastos planejados para este ano.

"Nós vamos explorar no segundo trimestre se existem elementos suficientes para passarmos para o próximo passo", afirmou Mauro Leos, analista sênior para América Latina da Moody''s, em um evento realizado ontem  em Calgary, no Canadá. "No fim do dia, as questões fundamentais do Brasil são fiscais", disse.

Como a inflação dos últimos 12 meses subiu para 6,01% e ameaça romper a meta do banco central de 4,5% mais 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo, o governo brasileiro decidiu cortar os gastos. No entanto, os detalhes de onde esses cortes serão feitos ainda precisam ser divulgados. O governo disse apenas que não vai reduzir os investimentos planejados em infraestrutura.

A decisão sobre o rating de crédito "será baseada nas conversas que temos com o governo sobre como eles pretendem agir naquela direção", disse Leos. "Nós queremos mais informações detalhadas sobre como isso vai acontecer, como isso será implementado, quando e onde os cortes serão feitos", acrescentou. Embora a preocupação com a inflação seja importante, a Moody''s provavelmente não vai se deter profundamente nos riscos de curto prazo porque o Brasil até agora demonstrou compromisso com o mecanismo de metas, comentou Leos.

Investidores têm acusado o Banco Central de trabalhar muito de perto com o Ministério da Fazenda, elevando as taxas de juros menos do que o necessário para conter a valorização do real diante do dólar. Mas Leos minimizou as críticas ao presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, por sinalizar que os formadores de política vão tentar levar à inflação para o centro da meta no longo prazo, em vez de agir para colocar as taxas no centro neste ano.

Segundo Leos, a coordenação entre o Banco Central e a Fazenda não é necessariamente negativa e representa uma abordagem mais balanceada para controlar a inflação e conter a moeda forte. "Está claro que essa coordenação não vai forçar o Banco Central a comprometer seu objetivo de meta de inflação", disse. As informações são da Dow Jones.

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