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sexta, 22 de fevereiro de 2019 - 09h34min

Mistérios

23 JUL 10 - 10h:50
Em julho do ano passado, quando a Polícia Federal promoveu verdadeira devassa na prefeitura de Dourados e de outras cidades da região sul e prendeu 42 pessoas, acreditava-se que a casa havia caído para muita gente, que supostamente “mamava nas generosas tetas públicas” havia tempo. Não demorou muito, porém, para que todos fossem soltos. Exceto alguns secretários, todos os demais retomaram suas atividades normais.
            E, passados mais de 12 meses, somente agora o Tribunal de Justiça começou a decidir se vai ou não processar também o prefeito Ari Artuzi, que, ao que tudo indica, tinha conhecimento e participava das negociações supostamente fraudulentas. De acordo com a Polícia Federal, ele chegou a ser presenteado com um carro de luxo pelos empresários acusados de ser os favorecidos em determinadas licitações. Se for mantido este ritmo, a tendência é que o mandato tanto dos vereadores envolvidos quanto do prefeito chegue ao fim e não se saberá se são ou não culpados. É provável, inclusive, que alguns deles sejam reeleitos e as ações continuem patinando em lugar e por razões incertas. Ao que tudo indica, o prefeito deve virar réu, pois cinco dos sete desembargadores já votaram neste sentido. Daí a haver alguma condenação ou devolução do dinheiro supostamente desviado existe gigantesca diferença.
            O ritmo deste caso não chega a ser novidade. Outros tantos escândalos estão tendo destino semelhante: nenhum. E é justamente esta falta de conclusão dos casos que permite e incentiva a corrupção, não só aquela dos altos escalões, mas também entre os cidadãos comuns, que envolvem relações mais simples. Trata-se da velha e tão conhecida impunidade brasileira.
            Depois de deflagrada a Operação Owari, de concreto mesmo constatou-se que boa parte dos envolvidos mudou de lado político. Adversários ferrenhos repentinamente viraram aliados. Foram mudanças tão misteriosas que é até perigoso elucubrar sobre as possíveis razões. A própria operação é repleta de mistérios. As mesmas pessoas e empresas que apareceram naquela ocasião fizeram “negócios” em outras cidades do Estado e sobre estas nunca recaiu nenhuma suspeita oficial por parte das autoridades, embora seja público e notório que esquemas descobertos em Dourados e região são comuns em 99% das prefeituras brasileiras.
    Não que esta quase unanimidade justifique a impunidade. Pelo contrário, seria de se esperar que operações semelhantes à de julho do ano passado fossem rotina. Mas, como não são, chega a ser intrigante o fato de eventualmente alguma acontecer. Se neste caso específico a bandalheira fosse muito superior às demais, os envolvidos deveriam estar na cadeia. Como não estão e ninguém sabe se irão, fica a interrogação sobre as razões que motivaram aquela devassa. Estaria na mudança de lado político alguma explicação?
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