sábado, 21 de julho de 2018

Militares e policiais tentam golpe de estado no Equador

1 OUT 2010Por 00h:00

QUITO

O presidente do Equador, Rafael Correa, decretou ontem, estado de emergência em todo o país por cinco dias para frear protesto de militares e policiais contra lei que corta os benefícios de setores do funcionalismo público. Correa acusou setores da oposição, entre eles o ex-presidente Lúcio Gutierrez de organizar um golpe de Estado contra ele.
Policiais ocuparam os principais quartéis de Quito e o Congresso. O aeroporto da capital foi tomado por oficiais da Força Aérea. Rodovias foram bloqueadas e houve relatos de distúrbios e até roubos de bancos. Outros setores do funcionalismo também afetados pela nova lei se uniram aos protestos, incluindo os estudantes.
Correa se dirigiu ao quartel geral de Quito para falar com os manifestantes e disse que não iria voltar atrás sobre a lei, que visa diminuir os gastos do Estado com o funcionalismo. “Se vocês querem matar o presidente, aqui está ele. Matem-me!”, disse, recusando-se a recuar na nova lei.
Os policiais debelados atiraram bombas de gás lacrimogêneo contra o presidente, o que o levou a ser internado no hospital do quartel. Então, o prédio foi cercado.
Apoiado numa muleta pelo fato de que foi submetido há pouco a uma operação no joelho, o presidente conseguiu sair do quartel usando uma máscara de proteção e ajudado por seguranças depois da explosão de várias bombas de gás lacrimogêneo. Correa foi levado para o hospital da polícia, onde foi atendido com sintomas de asfixia pelo gás. Do lado de fora, dezenas de policiais continuavam protestando.
Falando por telefone à rádio estatal, Correa qualificou os distúrbios como golpe. O presidente afirmou que “a história irá julgá-los (os manifestantes)”. “Eu convoco a polícia patriótica a se submeter” à liderança do presidente, afirmou.
Escolas e lojas foram fechadas por causa da falta de proteção policial. Há relatos de saques em algumas cidades do país, incluindo na capital, onde pelo menos dois bancos foram saqueados, e na cidade costeira de Guayaquil. O principal jornal do país, El Universo, informa que houve assaltos em supermercados e roubos por causa da ausência da polícia.

Reação popular
Centenas de partidários de Correa marcharam até a praça da Independência, no centro de Quito a fim de demonstrar apoio ao presidente. O ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, convocou os partidários de Correa a marcharem ao hospital do quartel para retirá-lo de lá.
O povo marchou até o hospital e entrou em confronto com os policiais rebelados. Ao menos uma pessoa ficou ferida com um tiro no braço, segundo a rádio estatal. Os partidários do presidente atiraram pedras nos policiais e foram repreendidos com tiros e bombas de gás.

TV e rádio
O governo do Equador ordenou ontem a todos os canais de televisão e rádio do país que suspendam por tempo indefinido sua programação e emitam o sinal da rede pública, na qual são transmitidas declarações críticas aos policiais revoltados.
Após a declaração do estado de exceção, a Secretaria Nacional de Comunicação da Presidência da República enviou um e-mail aos diretores dos canais de televisão e rádio do país, no qual é exigido que eles transmitam o canal Ecuador TV e Radio Pública, respectivamente.

Mercosul
Os países membros do Mercosul condenaram de maneira veemente a tentativa de golpe de Estado no Equador ontem e pediram a restauração imediata da ordem constitucional no país sul-americano. Em comunicado emitido pelo Mercosul no começo da noite desta quinta-feira, o bloco expressou “profunda preocupação com os sérios eventos que estão ocorrendo hoje no Equador”.

Unasul
Os países que integram a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) também manifestaram apoio a Correa. A Unasul é formada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

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