domingo, 22 de julho de 2018

produtores rurais

Metade dos produtores está endividada

26 NOV 2010Por VERA HALFEN e ADRIANA MOLINA05h:05

Cerca de 48% dos produtores rurais da região Centro-Oeste estão endividados junto à instituições financeiras ou outros órgãos. A afirmação foi da senadora e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Kátia Abreu. Segundo ela, a entidade está elaborando levantamento em todo o País para apurar a situação do produtor rural e ainda não tem dados específicos sobre a situação da agropecuária da região Centro-Oeste ou mesmo de Mato Grosso do Sul. Porém, adiantou alguns resultados, e citou que dos 5,1 milhões de proprietários rurais brasileiros, apenas 4,2% (cerca de 260 mil), respondem por 70% do valor bruto da produção agropecuária, causando discrepância entre as classes produtoras rurais. A maior delas está na região Nordeste.

Dos 5,1 milhões de produtores, 1,5 milhão estão endividados no País, "e boa parte deles está aqui", disse Kátia Abreu. Os endividados são também os que possuem renda negativa, ou seja, não conseguem pagar seus compromissos e pertencem às classes D e E. O levantamento aponta que esses dois níveis de classe social têm uma renda inferior a R$ 1.111.

Os cerca de 660 mil produtores que representam a classe C, possuem renda mensal entre R$ 1.111 e R$ 4,8 mil. Já as classes A e B, auferem renda superior a R$ 4,8 mil mensais.

Safra
Já o presidente da Famasul, Eduardo Riedel, justifica que as dívidas vêm de safras ruins, citando os prejuízos obtidos em 2005, 2006 e 2007, por conta da seca. Além disso, segundo Riedel, os produtores vendiam a safra com valores 20% a 30% inferiores à safra anterior.

Segundo Kátia Abreu, a CNA quer eliminar as classes D e E e trazê-las para a C. Para isso, será necessário entrar com propostas de políticas públicas que, segundo ela, ainda não foram definidas.

Em relação ao elevado número de endividados no País, Kátia Abreu comenta que ao verificar que 70% dos produtores respondem pela produção do agronegócio, "é preocupante, porque retrata a desorganização do setor. Prova disso é que apenas 4,2% dos produtores respondem por um terço do PIB (Produto Interno Bruto) e por dois terços da produção total".

Ainda segundo ela, cada Federação vai participar com levantamentos individuais, ainda a ser definido em reuniões posteriores, para complementar o levantamento já iniciado pela CNA.

 Reforma agrária
Kátia Abreu avalia que reforma agrária gera insegurança jurídica no campo, e por conta disso, os empresários rurais evitam fazer investimentos. O fato de apenas 4,2% dos produtores produzirem a quase totalidade da produção, também é resultado dessa insegurança jurídica e das altas cargas tributárias.

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