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Mercosul aposta em boa produção de trigo

16 SET 10 - 13h:04

SÃO PAULO

As safras de trigo 2010/11 do Mercosul se desenvolvem bem até o momento e indicam uma oferta satisfatória especialmente para o Brasil, o segundo importador mundial do cereal, segundo especialistas. A produção deve minimizar impactos da quebra de safra do grão na Rússia, que provocou escassez do produto e alta de 7% nos preços do pão francês em Campo Grande, que passou de R$ 5,50 para R$ 5,91 o quilo.
O Paraná, que produz quase 60% do trigo do Brasil, já colheu cerca de metade da safra prevista em 3,1 milhões de toneladas (ante produção de 2,5 milhões em 2009/10), e os lotes colhidos têm animado os produtores.
“No norte e oeste do Estado, temos tido trigo com boa qualidade e boa produtividade”, afirmou o agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), Otmar Hubner, funcionário da Secretaria de Agricultura. Ele observou que essas áreas já colheram cerca de 80% da produção esperada. A colheita no sul do Estado ocorre normalmente mais tarde.
As condições secas no Paraná colaboram para garantir uma boa colheita nas lavouras em maturação, diferentemente do que ocorreu no ano passado, quando chuvas em excesso aumentaram a incidência de doenças fúngicas, afetando a qualidade de boa parte da produção.
A colheita nacional está oficialmente estimada em 5,4 milhões de toneladas, ante 5 milhões de toneladas no ano passado, que teve grandes volumes de um cereal de baixa qualidade, em função da elevada umidade.
No Rio Grande do Sul, que, junto com o Paraná, responde por cerca de 90% da safra nacional, a situação também é favorável até o momento, embora o Estado tenha reduzido a área plantada em cerca de 10%.
“A expectativa é boa, as lavouras têm bom estado sanitário até agora... Tivemos chuvas em setembro. O quadro é bastante animador, tanto em termos de rendimento como de qualidade”, comentou o agrônomo Ataides Jacobsen, da Emater, órgão de assistência técnica do governo gaúcho.
A colheita no Rio Grande do Sul, que planta mais tarde que o norte e oeste do Paraná, deve começar na segunda semana de outubro. A mesma chuva que beneficiou o trigo gaúcho atingiu o cereal na Argentina, o principal produtor do Mercosul e maior fornecedor do Brasil.

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