segunda, 16 de julho de 2018

Mercado de trabalho tem o pior setembro dos últimos 5 anos

20 OUT 2010Por 00h:08

Carlos Henrique Braga

A geração de empregos em Mato Grosso do Sul teve o pior desempenho dos meses de setembro dos últimos cinco anos por conta das demissões em frigoríficos e atacados, mas mesmo assim foram criadas 1.444 vagas formais de trabalho (+0,35%), segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
No acumulado do ano, o resultado é mais animador: 25,3 mil postos de trabalho foram gerados até setembro, quase o dobro do número registrado em todo o ano passado (12,9 mil) e a 12ª maior alta do País (6,53%). Em agosto, com saldo positivo de 0,47% (1,9 mil vagas), MS estava melhor colocado no ranking (8º lugar).
Os setores frigorífico e atacadista demitiram 319 e 249 pessoas no último mês, respectivamente. Para o economista da Fundação Social do Trabalho de Campo Grande (Funsat), Áureo Torres, que analisa mensalmente os dados do Caged, plantas frigoríficas pequenas mal geridas não conseguem concorrer com a alta produção das multinacionais. A produtividade dos funcionários tende a ser baixa, por causa das velhas práticas de abate, e a saída é demitir para evitar ociosidade. “É impossível entrar um gigante (no mercado), sem que um pequeno saia, não tem espaço para todos”, justifica o economista.
Nos últimos dois anos, a indústria da carne demitiu 5,3 mil, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores de Frigoríficos de Campo Grande. Pelo menos 11 unidades estão paralisadas. Além da má administração, o setor coloca a culpa da retração na baixa oferta de incentivos governamentais aos pequenos empresários, que não têm capital para manter o negócio. A oferta insuficiente de gado pronto para abate nesta entrassafra, que fez disparar preços da matéria-prima, agravou a situação.
Serviços e comércio apresentaram crescimento de 0,44% e 0,15% cada um, e responderam por 50,4% dos novos empregos registrados em setembro (728). A construção civil criou 277 vagas (+ 1,03% de crescimento), seguida pela indústria da transformação, com 251 empregos (0,30%); agropecuária, geradora de 120 postos (+0,18); serviços, indústrias e utilidade pública (57); e extração mineral (16). A administração pública foi a única com saldo negativo (-5). Há 548.807 empregos formais no Estado, segundo levantamento do economista da Funsat.

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