terça, 17 de julho de 2018

Mercado

Mercado dá trégua de seis meses para Dilma

9 NOV 2010Por Francisco Carlos de Assis (AE)04h:22

O mercado financeiro deverá se manter complacente com relação ao governo de Dilma Rousseff (PT) enquanto a nova gestão se mantiver aderente ao perfil do governo do presidente Lula. Isso significa dizer, segundo o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, que a paz entre os agentes financeiros e a nova administração deve durar, no máximo, uns seis meses, tempo que ela precisará para tomar pé da situação e se desvincular de vez do perfil imposto nos últimos oito anos pelo presidente Lula.

A discussão sobre a futura relação do mercado financeiro e o novo governo ganhou força com a informação divulgada neste final de semana pelo jornal “O Estado de S. Paulo” de que a presidente eleita poderá tirar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, do cargo.

Segundo a reportagem, apesar de avaliar que Henrique Meirelles desempenha um papel importante no combate à inflação e na contenção dos efeitos da crise econômica global de 2008 na economia brasileira, Dilma não pretende deixá-lo à frente da condução do Banco Central. Um dos motivos que podem explicar a atitude é a vontade, já externada pela presidente eleita, de reduzir a taxa de juro real para 2% até 2014. Com isso, ela deverá priorizar a formação de um governo de pessoas com um viés desenvolvimentista. O problema, na visão de Vale, está na contradição entre o discurso e a prática.

Para o economista, não há a menor possibilidade de a taxa de juro real chegar a 2% ao final dos próximos quatro anos se for mantida a atual política fiscal expansionista que Dilma indica que deverá seguir. “Ela não tem a menor noção da importância de um ajuste fiscal”, afirma o economista. Todavia, diz Vale, isso não surpreende aos que ao longo do tempo vêm analisando o comportamento da presidente eleita. Dilma, de acordo com o chefe dos economistas da MB Associados, quando era ministra, foi contra a proposta de ajuste fiscal defendida pelos ministros Antônio Palocci e Paulo Bernardo.

“O que esperar de um governo que afirma não haver ajuste político a ser feito?”, questiona o economista. Na sua opinião, é preciso avaliar a Dilma ministra e não a candidata.

Leia Também