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Mensaleiro deve começar a trabalhar

17 JAN 14 - 12h:15FOLHAPRESS

O ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas deve começar a trabalhar como assistente administrativo em uma empresa de engenharia de Brasília na próxima semana.
Ele obteve autorização da Justiça na última segunda-feira e foi transferido para o CPP (Centro de Progressão Penitenciária) no fim da tarde de ontem. O local é destinado aos presos que podem trabalhar ou que têm o benefício da saída temporária.  De acordo com seu advogado, Décio Lins e Silva, Lamas já está instalado em uma ala especial do CPP por questões de segurança. Silva informou ainda que os últimos detalhes para concluir o processo de contratação pela Mísula Engenharia serão resolvidos hoje. "Vamos resolver a burocracia hoje e acredito que ele já possa trabalhar a partir de segunda ou terça-feira da semana que vem", disse. Silva esteve no CPP hoje pela manhã e conversou rapidamente com Lamas. "Ele está ansioso para voltar ao trabalho", disse. O advogado contou que Lamas tem a companhia de outros 20 detentos que dividem com ele a ala especial.

Diferentemente da Papuda, não há visita para os presos do CPP. No entanto, a cada 15 dias eles podem passar o fim de semana em casa, no endereço informado à Justiça. Os condenados são proibidos de passear pela cidade ou sair do Distrito Federal. Apesar de poder sair para trabalhar, a rotina de Lamas dentro do presídio não será tão diferente da que ele tinha na Papuda. No CPP também são servidas três refeições diárias e todos devem usar roupas brancas. O ex-tesoureiro dormirá em um treliche de ferro com um colchão normal. No banheiro, há apenas um cano que serve de chuveiro e não há vaso sanitário, apenas um buraco no chão, conhecido como "bacia turca". Durante o expediente, Lamas poderá almoçar ou ir a locais até 100 metros do endereço do trabalho.

De acordo com a defesa, a empresa pagará a Lamas o salário de R$ 1,2 mil para desempenhar tarefas como receber correspondências, atender telefonemas e esclarecer dúvidas sobre a parte financeira, coordenar compras e manter organizado arquivos e cadastros da empresa. Além do salário, Lamas receberá vale transporte e R$ 11 por dia de vale alimentação. Lamas cumpre cinco anos de prisão em regime semiaberto. Em sua decisão, o juiz Bruno Ribeiro, da VEP (Vara de Execuções Penais) do Distrito Federal, afirmou que o trabalho externo é "fundamental para a ressocialização do sentenciado" e que a concessão do benefício é uma "possibilidade de se avaliar a disciplina, autodeterminação e responsabilidade do reeducando antes de uma possível transferência para um regime de pena mais avançado". O juiz destaca ainda que o futuro empregador se comprometeu a ajudar na fiscalização do benefício.  

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