Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

SAÚDE

Menopausa x ganho de peso

26 NOV 2010Por SCHEILA CANTO00h:00

De todas as mudanças e sintomas que acompanham a menopausa o ganho de peso é o fator que, literalmente, mais pesa nesta fase da vida da mulher. Não adianta colocar a culpa no cardápio, porque nesta etapa o grande vilão é o hormônio estrógeno, ou melhor, a falta dele. Tanto que, pesquisa inédita feita pelo Hospital das Clínicas de São Paulo afirmou que as brasileiras na fase da menopausa estão acima do peso. O hospital avaliou 6.000 mulheres com mais de 40 anos ao longo de mais de uma década, mais da metade destas têm excesso de peso e dois terços delas têm sintomas vasomotores, como as famosas ondas de calor.

A menopausa é um fenômeno natural na vida da mulher, assim como a menstruação, e nada mais é que a cessação permanente dos ciclos menstruais. Por não haver mais a ovulação devido à falta de folículos ovarianos, a produção dos hormônios estrógeno e progesterona, que determinam as mudanças cíclicas no organismo feminino, fica comprometida. A falta de estrógeno é o principal fator dos sintomas da menopausa. A sensação de calor (conhecida como fogacho), as alterações de humor, a queda do apetite sexual e o acúmulo de gordura, principalmente na barriga, são reclamações constantes da maioria das mulheres.

Para amenizar os sintomas, existe o tratamento de reposição hormonal, que tem lá suas contraindicações, específicas para cada caso e somente o médico ginecologista pode fazer a orientação correta. Porém, além do tratamento com hormônios, há outra forma de superar os efeitos incômodos da menopausa. A reeducação alimentar pode aliviar os sintomas e controlar o ganho de peso nesse período, garante a nutricionista Flávia Morais, da Rede Mundo Verde. “Mais do que alimentos existem algumas regras a serem seguidas a fim de evitar o ganho de peso”.

De acordo com a nutricionista, a inclusão de alimentos fontes de vitaminas, principalmente a vitamina E, ajuda a diminuir as ondas de calor comuns da menopausa. O consumo regular de óleos insaturados, principalmente o óleo de linhaça rica em ácidos graxos ômega 3, fibras, minerais e vitaminas ajuda a diminuir a secura vaginal, que auxilia no bom funcionamento do intestino e tem ação antiinflamatória e lubrificante de mucosa.  A inclusão no cardápio de alimentos como a soja, fonte de isoflavonas que imitam a ação do hormônio estrógeno também ajuda a aliviar os sintomas da menopausa. E a ingestão de alimentos crus, como frutas e verduras diminuem a acidez do sangue, o que é importante para a prevenção de osteoporose.

De acordo com a pesquisa, ondas de calor, palpitações e melancolias tem mais chance de aparecer em mulheres que entram na menopausa mais cedo, enquanto o aumento do peso nesse período eleva o risco de sintomas como calores e dores nas articulações e nos músculos. “Com a diminuição dos níveis de estrógeno diminui a energia, disposição e tônus muscular. Para amenizar esses sintomas devem-se priorizar alimentos frescos ricos em nutrientes como frutas, verduras, legumes e brotos. As oleaginosas, nozes, castanhas, amêndoas, sementes de gergelim, girassol e os óleos vegetais são boas fontes de vitamina E, que ajudam a diminuir as ondas de calor”, afirma Flávia.

Segundo a nutricionista,  alimentos ricos em gorduras saturadas, alimentos refinados e muito industrializados devem ser evitados pelas mulheres  principalmente na fase de menopausa. O excesso de açúcar também é prejudicial, que  podem piorar as alterações de humor. As dietas ricas em proteínas e sal acidificam o sangue e aumentam a perda de cálcio, o que contribui para a osteoporose. A cafeína e o álcool também podem piorar os sintomas de menopausa e por isso devem ser evitados.

Dicas
Como evitar o ganho de peso.

Não fique longos períodos sem se alimentar. Aumente o fracionamento da dieta incluindo lanches entre as principais refeições. Assim, estimulará seu metabolismo, aumentando o gasto energético, além de fornecer nutrientes para o corpo ao longo do dia.

Na hora de escolher os alimentos, privilegie os legumes, as verduras e as frutas. Além de serem ótimas fontes de vitaminas, minerais, fibras e água, têm baixo valor calórico.

Nas refeições principais, abuse de saladas de folhas verdes e legumes, preferencialmente crus. Mas tome cuidado com os temperos: evite maionese, molhos prontos e sal. Prefira temperá-las com azeite de oliva extra virgem, vinagre, molhos à base de mostarda e use condimentos naturais, frescos ou secos, como cebola, alho, orégano, salsa, cebolinha.

Os cereais integrais também não podem ficar fora do cardápio. No café da manhã troque o pão branco pelo integral. No almoço e jantar, incremente as saladas com quinua ou amaranto. Os alimentos integrais têm mais fibras, e por isso textura mais firme. Exigem mais mastigação e tem a digestão mais difícil, por isso gastam mais calorias durante o processo de digestão e auxiliam no emagrecimento.

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