POLÍTICA

Memórias por encomenda

Memórias por encomenda
22/02/2010 03:24 - OSCAR ROCHA


Por outro lado, existem aquelas que recebem aval do biografado. Mesmo sendo consideradas “chapa- branca”, em muitos casos não deixam de ter seu valor e, dependendo do profissionalismo do autor, podem servir de referência histórica. Em Mato Grosso do Sul, as biografias autorizadas aparecerem com frequência entre os livros editados. Alguns desses trabalhos têm sido feitos por escritores que começam a se especializar no segmento. É o caso da professora universitária Lucilene Machado, que conta com diversas publicações no currículo. A mais recente enfoca a trajetória da cartorária Gilka Martins, em obra lançada ano passado. “Não quero perder de vista as biografias. Pretendo também fazer outras coisas, mas não abandonarei esse segmento”, aponta Lucilene. Para ela, quem entrar no campo do registro da memória de outra pessoa, precisa, acima de tudo, ter paciência. “É necessário saber ouvir e saber organizar. A memória não é linear, apresenta detalhes, sendo impregnada de digressões, há muitas idas e vindas no pensamento. Nesse caso, o escritor precisa ter muito cuidado”. Outra atenção é quanto à checagem das informações. Nem tudo dito pelo entrevistado é fiel à realidade, principalmente com relação às datas e nomes, por isso o biógrafo precisa verificar as informações em livros, jornais e até online. “Com a internet ficou muito mais fácil verificar várias coisas, mesmo assim é necessário ficar atento”. Lucilene publicou várias biografias. Lembra com carinho do livro “Nico da Noroeste”, que faz parte da coleção “Eu sou a história”, coordenada pelo professor Hildebrando Campestrini, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. “Foi um trabalho muito bom de ser feito, já que o biografado é parte importante da nossa história ligada à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil”. A autora avalia que temas polêmicos nesse tipo de trabalho precisam de certo cuidado. “Há situações que podem comprometer algumas pessoas. É necessário avaliar se é essencial fazer parte do trabalho”. No momento, a escritora não está à frente de nenhum projeto biográfico por causa de atividades acadêmicas e prevê em breve a volta ao segmento.
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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".