sábado, 21 de julho de 2018

COMPORTAMENTO

Medo de avião pode ser superado

7 JAN 2011Por CRISTINA MEDEIROS00h:10

Férias, época de muitas viagens e várias pessoas preferem viajar por longas e sofridas horas de carro ou de ônibus a ter que enfrentar um avião. Nem mesmo os preços atrativos das passagens as convencem mudar de ideia. De acordo com a psicóloga Elvira Gross, autora do livro “Avião, viaje sem medo”, mais de 40% dos brasileiros sofrem da fobia. Mas a doença tem cura e, em alguns casos, em dois meses já é possível se sentir bem melhor.

O primeiro passo é diferenciar se trata-se de medo de voar ou de uma verdadeira fobia. O medo de viajar de avião geralmente não impede o indivíduo de fazer suas viagens, a despeito do desconforto. Contudo, o medo pode, às vezes, evoluir para uma fobia, considerada como um transtorno de ansiedade, cuja causa é multifatorial. Fatores genéticos, neuroquímicos, socioculturais, tipo de personalidade e eventos de vida como traumas psicológicos estão envolvidos no surgimento das fobias.

“Muitas vezes as fobias são decorrentes de eventos em que o indivíduo experimentou expressivo medo no passado. Lugares, circunstâncias ou sensações associados ao trauma podem disparar a memória do evento e mecanismos de alerta como se a situação traumática estivesse acontecendo ou por acontecer, como um sistema que visa a sobrevivência. As emoções se superpõem à razão e as áreas límbicas são mais atuantes que as áreas envolvidas em processos de racionalização”, esclarece Julio Peres, psicólogo e doutor em Neurociência e Comportamento pela USP.

E para superar o medo ou a fobia, muitas pessoas têm buscado a psicoterapia, que confere significativos resultados de superação. “A psicoterapia busca dissecar e trabalhar as associações estabelecidas entre eventos traumáticos e os respectivos sistemas de crenças que geram os comportamentos fóbicos. Os efeitos terapêuticos são em boa parte, decorrentes do ‘aprendizado de extinção’, que estabelece novas e saudáveis respostas mediante o estimulo que causava medo”, explica Julio Peres. Trata-se de um processo ativo de aprendizado pelo qual o indivíduo organiza sua cognição com experiências gradativas de enfrentamento consciente, gerando uma nova associação saudável em detrimento da anterior.

Dicas
* Autoindução de relaxamento – Uma técnica que ajuda a enfrentar o medo antes e durante a viagem é a auto-indução de relaxamento com foco na respiração tranquila apoiada por pensamentos de superação como “Eu me sinto tranquilo e seguro”, “Tudo está bem agora e assim continuará”, “Sou capaz e supero a mim mesmo”.
 
*Exposição suave e contínua – Enfrentar o medo aos poucos, por exemplo, primeiro enfrentar o aeroporto, depois voos curtos sem tranquilizantes e ir gradativamente se expondo a voos mais longos. Chama-se esse processo de dessensibilização (retirar a sensibilidade). Esse método favorece a diminuição gradativa da hipersensibilidade existente a uma condição fóbica por meio da exposição suave e contínua, que permite ao paciente fortalecer a percepção do controle e vitória sobre si mesmo.

*Resgatar a coragem – Outra boa dica é resgatar o repertório de vitórias em outros períodos da vida (conquistas de objetivos no campo familiar, profissional, escolar, esportivo, etc.). Tais lembranças podem mobilizar novas associações para o fortalecimento da auto-imagem corajosa e vencedora.

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