quarta, 18 de julho de 2018

CONSUMIDOR

Medida encarece o crédito, mas não será instântanea

4 DEZ 2010Por Infomoney00h:01

As medidas anunciadas ontem pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional não devem afetar a concessão de crédito às pessoas físicas de maneira imediata. Mas, em médio prazo, os consumidores já devem sentir os efeitos das novas regras.

De maneira geral, os órgãos elevaram o FPR (Fator de Ponderação de Riscos) para as operações de crédito a pessoas físicas com prazos superiores a 24 meses de 100% para 150%. “Isso significa que os bancos, para emprestarem a prazos mais longos, terão de ter uma reserva de capital maior”, explica o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo.

“Essas medidas retiram dinheiro de circulação. Vai ter menos dinheiro para crédito”, complementa o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira.

Aliado a isso, o BC também elevou o depósito compulsório que os bancos têm de fazer de 8% para 12%. Para Solimeo, essa medida só complementa o aumento do fator de risco, reduzindo ainda mais a oferta de crédito. “As duas medidas estão na direção contracionista”, diz. “O BC está procurando desacelerar a taxa de concessão de crédito, com exceção do crédito imobiliário”.

O economista afirma que o crédito está se expandindo muito e as medidas vêm no sentido de evitar possíveis “bolhas”. “O BC está vendo que o crédito está se expandindo, com prazos longos e demanda forte. É um cenário de risco”, considera. “Mas o impacto não é instantâneo, ele é gradativo e não deve afetar as vendas de fim de ano”.

Para Oliveira, o cenário atual estava pressionando a inflação para cima – situação que deve se reverter com as medidas. “Com a redução do crédito, se reduz a demanda e a demanda menor reduz a pressão da inflação”, considera.

Crédito mais caro e Selic
As medidas têm impacto na oferta de crédito. E, por consequência, nas taxas de juros dos financiamentos. “As taxas de juros vão aumentar para o consumidor”, acredita Oliveira. “Essas medidas podem contribuir para o aumento dos juros, independente da taxa Selic”, reforça Solimeo.

Para o economista, o impacto das novas regras nos juros serão mais intensos e sentidos mais rapidamente pelos consumidores que uma possível elevação da taxa. “Muitas vezes um aumento da taxa Selic tem um impacto pequeno quando o prazo de financiamento é muito longo”, explica.

Isso não significa, reforça o economista, que as medidas anunciadas substituirão um aumento da taxa, previsto pelo mercado para o início do próximo ano. Solimeo acredita que as medidas devem retardar o aumento, mas essa alta deve vir. “O Meirelles [atual presidente do BC] fez questão de dizer que uma coisa não substitui a outra. Essas medidas se complementam e não descartam a alta da Selic, embora eu ache que agora esse aumento não deve ocorrer na próxima reunião”.

Olhando para frente
Reduzindo a oferta de crédito e elevando os juros dos financiamentos, as medidas do BC, além de conter a inflação, também devem ter impacto nas taxas de inadimplência. “O BC está reconhecendo que há um eventual risco de aumento da inadimplência futura. Ele está olhando para frente”, acredita Oliveira, da Anefac.

Para Solimeo, tanto as ações das instituições como um possível aumento da Selic podem se tornar nulos se o Governo não adotar outras medidas relacionadas à área fiscal. “É uma pena que o BC tenha de tomar essas medidas sem que haja um complemento fiscal - o que seria necessário para que a gente pudesse ter uma reversão da alta da inflação”. Essas medidas, ressalta o economista, devem ir na direção de reduzir os gastos do governo.

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