domingo, 22 de julho de 2018

ATENDIMENTO

Médicos fazem campanha contra violência

11 NOV 2010Por DANIELLA ARRUDA00h:00

Médicos e entidades da área da saúde de Campo Grande lançaram campanha ontem na Capital, pedindo mais qualidade na jornada de trabalho e o fim da violência contra profissionais do setor, praticada em postos de saúde e hospitais. Somente de janeiro a setembro deste ano, conforme estudo apresentado pelo Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed/MS), foram registrados 345 casos de agressão a médicos e trabalhadores de enfermagem nestes locais. O resultado do levantamento, juntamente com propostas de melhoria do sistema público de saúde e abaixo-assinado com cerca de 1.500 assinaturas de profissionais e pacientes, foi protocolado ontem à tarde na Prefeitura de Campo Grande e deve ser entregue também ao Ministério Público, Justiça do Trabalho, Governo do Estado e Câmara Municipal neste mês.

Entre outras ações previstas na campanha, que será adotada de forma permanente a partir de agora, está a realização de audiência pública na Câmara Municipal, programada para o dia 16 deste mês, além de ações educativas entre os próprios profissionais dentro das unidades de saúde e também na população. Outra estratégia é a organização de fórum multidisciplinar com a participação de várias instituições, a fim de discutir o assunto e reunir propostas. “O grande foco é retomar a dignidade da saúde, tanto no atendimento à população quanto para o profissional”, destacou o médico Renato Figueiredo, autor do estudo.

Segundo o vice-presidente do Sinmed, Marco Antônio Leite, a categoria defende que se tenha uma segurança treinada e efetiva nas unidades, que sejam criados mecanismos para reestruturação do atendimento da rede básica de saúde, assim como das especialidades médicas. Entre as sugestões apontadas por sindicatos e entidades da área médica como simples, porém eficazes para evitar o surgimento de conflitos, estão a colocação de um sistema de acolhimento ao paciente na entrada das unidades 24 horas e de pronto atendimento (UPA) e o uso dos televisores disponíveis nos balcões de espera para veiculação de informações sobre o funcionamento do serviço.

“Hoje tem-se uma fila enorme de pacientes que precisam de atendimento especializado e não conseguem. Eles vão então para as unidades 24 horas, onde passam por classificação de risco, dão entrada como nível azul e por essa escala, serão os últimos a serem atendidos. É lógico que vão se sentir desprezados. Mas se houver um serviço que informe esse paciente e que dê uma explicação a ele, a pessoa já se sente valorizada, mesmo que precise aguardar pelo atendimento”, comentou.

Leia Também