Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

CRIME VIRTUAL

Mecânico finge ser ex-patrão para extorquir mulheres

4 FEV 2011Por FOLHA04h:00

Um mecânico industrial de Goiânia (GO) fingiu ser o ex-patrão em uma rede social para conquistar mulheres e extorqui-las depois de conseguir delas fotos e vídeos pornográficos.

João Charles Oliveira da Silva, 36, foi preso na quarta-feira (2) no Jardim Nova Esperança. Ele será indiciado sob suspeita de extorsão e falsidade ideológica. Silva só foi descoberto depois que duas vítimas, de Belém (PA), denunciaram o crime. Ao menos outras seis mulheres, incluindo uma brasileira que mora na Inglaterra, caíram no golpe.

Segundo o delegado-adjunto da Deic (Delegacia Estadual de Investigações Criminais) de Goiânia, Douglas Pedrosa, o mecânico tinha a intenção de extorquir as mulheres desde o início. "Ele fez também um perfil falso da mãe e de irmãos do empresário e conseguiu fotos de todos, até do helicóptero que dizia que tinha, para convencer as vítimas de que era real", contou Pedrosa.

"No depoimento, ele disse que é só ser bonito para conseguir o que quer. Ele devia sonhar em ser esse homem, que é mais jovem, bonito e bem-sucedido, que anda de carro importado", completou o delegado.

Afastado há cerca de dois meses por problemas de saúde, Silva montou o perfil falso do empresário para quem trabalhou em 2002 no Orkut e utilizou o computador do quarto de uma de suas filhas, que tem deficiência mental, para manter relacionamentos virtuais com ao menos oito mulheres.

"Quando ele recebia o material, pedia um telefone para a vítima e ligava quando já tinha um link do Youtube com o vídeo encaminhado. Ele dizia que [o vídeo] seria divulgado para todos os amigos delas caso não recebesse determinada quantia", afirmou o delegado. Segundo Pedrosa, os pedidos variavam entre R$ 3.000 e R$ 5.000. Um depósito já foi confirmado.

Após fazer perícia no computador apreendido, a Polícia Civil deve apurar a existência de mais vítimas. "Nossa maior dificuldade é que, em geral, essas pessoas não querem aparecer, muito menos fazer uma denúncia", afirmou o delegado.
 

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