Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

McDonald’s rejeita proposta contra obesidade infantil

22 MAI 2011Por Reuters10h:41

Se você acha que o McDonald’s vai contra tudo de bom e puro no mundo, aqui vai um novo argumento para consolidar sua opinião: a corporação rejeitou pedidos para reavaliar o impacto da sua comida sobre a obesidade infantil.

A empresa ainda confirmou que o palhaço Ronald McDonald, criticado por chamar a atenção de crianças pequenas e influenciá-las a consumir os produtos de baixo valor nutritivo, continuará firme e forte como marca registrada nos anos que virão.

“Esta é uma questão de escolha e nós acreditamos no processo democrático”, declarou o presidente-executivo Jim Skinner, em uma sala lotada durante a reunião com seus acionistas. A frase provocou uma onda de aplausos entusiasmados. “Trata-se do direito pessoal e individual de escolha”.

Os acionistas da maior cadeia de fast-food do mundo rejeitaram firmemente uma proposta que exigia a preparação por parte da empresa de um relatório sobre o seu papel na epidemia de obesidade infantil. O argumento principal foi de que os clientes são livres para fazer suas próprias escolhas alimentares.

“Ronald McDonald é um embaixador para o McDonald’s, e ele é um embaixador para o bem. Ronald McDonald não vai embora”, garantiu Skinner com firmeza, causando ainda mais elogios dos seus acionistas.

Entre os dissidentes na reunião estava Donald Zeigler, médico e diretor da divisão de Prevenção e Estilo de Vida Saudável da Associação Médica Americana. Ele questionou até quando a rede de lanchonetes vai continuar fazendo marketing para crianças usando a figura de Ronald McDonald.

Zeigler foi um dos 550 profissionais de saúde que assinaram uma carta aberta ao McDonald’s implorando que a corporação “pare de deixar as gerações futuras doentes”.

Esta semana, um grupo de ativistas colocou anúncios em jornais de todo o país pedindo para que o McDonald’s pare de utilizar estratégias de marketing direcionadas para as crianças por meio do palhaço, de brindes e brinquedos.

Cerca de 17% das crianças e dos adolescentes estadunidenses são obesos, de acordo com os Centros para Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos. No Brasil, esse valor está na casa dos 11%, mas profissionais de saúde brasileiros alertam para a possibilidade de o país alcançar os Estados Unidos nessa área durante os próximos anos.

Estar acima do peso na infância aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2, colesterol alto, hipertensão e uma série de outras doenças.

McDonald’s tem sido um alvo de duras críticas durante anos a fio por conta de suas táticas de marketing e vendas do McLanche Feliz para as crianças. O principal ponto discutido é o uso de brinquedos como estímulo à compra dos alimentos.

De alguns anos para cá, porém, a cadeia de restaurantes passou a disponibilizar opções mais saudáveis ​​em seu cardápio, incluindo saladas, frutas e, mais recentemente, cenouras no lugar de batatas fritas. O esforço, porém, não foi suficiente para os críticos, que argumentam ainda haver muita gordura, sódio e açúcar em suas refeições.

Ainda assim, Skinner defende a estratégia comercial do McDonald’s, o que resulta em expressivas vendas e grandes lucros para seus acionistas. Apenas nos últimos quatro meses, as ações do McDonald’s se valorizaram em quase 12%. Entretanto, como apontam especialistas, até a questão financeira é questionada. As crianças obesas de hoje frequentemente se tornam os adultos obesos de amanhã, sobrecarregando o sistema de saúde inteiro do país.

Leia Também