Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

CINCO ANOS

Mato Grosso do Sul triplica área de citricultura

26 FEV 2011Por DA REDAÇÃO00h:01

Com a diversificação da base econômica de Mato Grosso do Sul em alta, várias atividades agropecuárias até então pouco exploradas começaram a ganhar destaque e estão avançando em ritmo acelerado, principalmente na região do bolsão, como é o caso da citricultura e da heveicultura. Citricultores tecnificados do interior paulista estão migrando para o Estado devido o baixo custo de aquisição ou arrendamento de terras e das condições sanitárias satisfatórias para cultivo de citrus. Segundo os técnicos da SFA/MS e da IAGRO o principal entrave para o desenvolvimento do setor no Mato Grosso do Sul é a falta de uma Lei estadual de Defesa Vegetal, existente em quase todas as Unidades da Federação.

A área cultivada com citrus na safra 2009/2010 chegou a 857,0 hectares segundo dados do Serviço de Sanidade Vegetal da SFA/MS. A citricultura sul-matogrossense é mais expressiva nos municípios de Três Lagoas e Aparecida do Taboado, com 110,0 e 450,0 hectares respectivamente. Empresários paulistas estão sondando a região para implantação de mais de hum milhão de pés de laranja. A região é conhecida mundialmente por proporcionar o melhor brix para o suco de laranja.

As autoridades sanitárias estão acompanhando de perto a implantação de projetos dessa natureza no Estado. Técnicos da IAGRO e do Serviço de Sanidade Vegetal da SFA, juntamente com o Superintendente Federal de Agricultura no Mato Grosso do Sul, Orlando Baez, estiveram visitando a Fazenda São Domingos na última quarta-feira (24), no município de Aparecida do Taboado. A Fazenda já foi palco de grandes plantios de cereais (milho, soja e feijão), mas hoje, segundo o proprietário, está parcialmente arrendada por dezesseis anos para os citricultores, João Luiz Scholl e Geovani Barroti, que também possuem laranjais na região de Tobi e Santa Fé do Sul/SP. Segundo Barroti, o custo de implantação da laranja Pera Rio, durante o primeiro ano, chega a dez reais por muda e a previsão de colheita já no segundo ano, alcança em torno de 80 kg de laranja por planta.

Segundo o Fiscal Federal Agropecuário, Dilter Rigolon, do Serviço de Sanidade Vegetal da Superintendência Federal de Agricultura no Mato Grosso do Sul (SSV/SFA/MS), houve um aumento de aproximadamente 140% na área cultivada com citros de 2008 para cá. Na safra 2007/2008, segundo dados do IBGE, o Estado possuía 289,0 hectares, saltando para 421,0 hectares na safra 2008/2009 e atualmente aproxima-se de 860 hectares. O controle de pragas ainda é o assunto que mais preocupa os citricultores devido os altos investimentos na aquisição de terras e formação dos laranjais.

O Brasil continua sendo o maior exportador de suco de laranja do mundo, e várias regiões do país vem contribuindo para manter este quadro, mas a concentração maior da cultura permanece na região sudeste do País. No ano passado o Brasil exportou um milhão e duzentas mil caixas com quarenta quilos de laranja. O estado de São Paulo lidera o ranking nacional com 80% da produção de citros.

Investimento federal

Este ano o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) já repassou a IAGRO mais de 700 mil reais. Em Agosto deverá ser repassado mais 630 mil em investimento e 300 mil em custeio para execução dos trabalhos na área de sanidade vegetal. O avanço da citricultura e o controle do greening, são assuntos que preocupam os técnicos do Ministério, por isso nos próximos cinco anos serão repassados, por meio de convênio com a IAGRO, recursos federais da ordem de 10 milhões de reais. Os recursos atenderão também outras áreas como a ferrugem asiática da soja, a sigatoka negra das bananeiras e o bicudo do algodoeiro.

A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (IAGRO), vem fiscalizando o comércio de mudas clandestinas de citrus, além de fornecer autorização para novos plantios e importação de mudas de outros estados. Mediante convênio com o MAPA, várias ações na área de defesa sanitária vegetal estão sendo desenvolvidas para impedir a disseminação de pragas e doenças, principalmente o cancro-cítrico e o greening.

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