Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

DESCARGAS ELÉTRICAS

Mato Grosso do Sul é o quarto no País em mortes por causa de raios

27 DEZ 2010Por Neri Kaspary00h:00

Descargas elétricas, ou raios, mataram pelo menos 89 pessoas em Mato Grosso do Sul nos últimos dez anos, colocando o Estado em quarto lugar no País, embora a densidade demográfica seja bem inferior à dos estados onde ocorreram mais óbitos, segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em dez anos, as descargas elétricas causaram 1.321 mortes no País. Em primeiro lugar na década está São Paulo, com 230 óbitos, sendo seguido pelo Rio Grande do Sul, 106, e Minas Gerais, 99 mortes. Em todos eles o número de habitantes é bem meio que em MS, o que faz aumentar a probabilidade de alguém ser atingido. Em 2009 foram 121 mortes e, em 2010, até 5 de dezembro, já foram registrados 94 óbitos.

Mato Grosso do Sul também é um dos estados com maior incidência de descargas, 4,2 milhões de registros anuais, ficando em quinto lugar, atrás de Amazonas (11 milhões), Pará ( 7,3 milhões), Mato Grosso (6,8 milhões) e Rio Grande do Sul (5,2 milhões). Os três primeiros têm território maior que o de MS, o que explica a incidência mais elevada.. Ou seja, levando em consideração a área geográfica, proporcionalmente o Estado só fica atrás do RS.

O Brasil é, atualmente, o país com a maior incidência de raios do mundo, de acordo com o Elat. Em termos gerais, caem no Brasil, em média, cerca de 50 milhões de raios por ano. Entre 2000 e 2009, foi registrado um aumento de 18% na incidência de raios em todo o país, tendência que deverá se manter nas próximas décadas.

Dois fatores podem contribuir para o aumento na incidência de raios, segundo Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat. “Um fator claro é o crescimento dos centros urbanos e grandes cidades. Grandes centros urbanos favorecem tempestades, por causa da poluição e da formação de ilhas de calor - o aquecimento de uma região por causa do asfalto e da quantidade de prédios, que dificultam a circulação do ar. Outro fator é o aquecimento global do planeta, que também influencia no aumento de tempestades”, afirma.

Além desses aspectos, de acordo com o especialista, o clima tem um ciclo extenso de variabilidade que dificulta sua documentação e previsões a longo prazo.
De acordo com Pinto Júnior, os raios ocorrem em meio a tempestades severas, com ventos e precipitações intensas. Isso porque as nuvens de tempestade possuem partículas de gelo que, ao se chocarem, ficam carregadas eletricamente. Essas cargas, acumuladas, geram descargas elétricas, que são os raios.

“Se uma nuvem não tem gelo, não produz descarga. E só há gelo em nuvens que ultrapassam os 6 km ou 7 km de altura, no Brasil. As mais baixas causam chuvas, não raios”, afirma.

Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, ainda de acordo com o especialista, as tempestades são mais comuns no verão. Já no Sul e no Norte, os picos de raios acontecem na primavera. “As tempestades se formam a partir de choques de massas de ar que se movem no planeta, e a circulação dessas massas tem características peculiares em cada região do país e do mundo”, explica.

Cuidados

O Elat recomenda que, em dias de temporais, as pessoas se afastem de postes de iluminação, árvores, cercas de arame farpado e, se estiverem na água (praia ou piscina), saiam imediatamente ao menor indício de raios ou trovões, já que a água é altamente condutora de eletricidade.

Outra dica é evitar falar ao telefone, principalmente os fixos com fio, já que o fio pode transportar a corrente elétrica de um raio. Além disso, evite usar telefone celular na rua quando houver raios.

Em caso de raios, o maior perigo, de acordo com o Elat, é ficar em locais descampados, como campos de futebol, pastagens e estradas, por exemplo. Procurar abrigo debaixo de árvores, no entanto, é um erro bastante comum e pode ser fatal. Se não for possível entrar em uma residência, o melhor é ficar agachado no chão, com as mãos na nuca e os pés juntos.

Se for possível, entre em um automóvel ou ônibus e tente manter as janelas fechadas. Ficar dentro de objetos metálicos fechados (como carros, ônibus e aviões) é seguro, porém ficar do lado de fora destes objetos é perigoso. (com informações do G1)

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