Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

EMPREENDEDORES

Material reciclado: setor movimenta R$ 6,5 milhões por mês

27 SET 2010Por 07h:56

Carlos Henrique Braga

No mercado do lixo, que movimenta R$ 6,3 milhões por mês em Campo Grande com a compra e venda de materiais recicláveis, os sucateiros são a ponte entre catadores – os operários – e a indústria. Servidos de melhor infraestrutura, como prensa e carro, eles estão um passo a frente dos colegas carrinheiros porque valorizam a mercadoria ao separá-la por tipos, diminuindo o trabalho dos compradores. A prefeitura pretende formalizar 150 sucateiros e transformá-los em microempreendedores. A maioria não tem licenças.
O passaporte deles para o mercado formal é o Programa Empreendedor Individual. A figura jurídica, já disponível para micro e pequenos empresários que faturam até R$ 36 mil por ano, permite abrir uma empresa pagando cerca de R$ 60 por mês em impostos. Com CNPJ, dá para ter acesso a crédito para turbinar os negócios e a outros benefícios, como aposentadoria, e ainda emitir notas fiscais.
Segundo o secretário municipal de  Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Marcos Cristaldo, a medida também atende à necessidade de tirá-los de áreas residenciais, onde suas pilhas de latas e papeis incomodam a vizinhança e representam perigo à saúde. Das casas transformadas em depósitos, 87% não têm licença sanitária e 83% não fizeram licenciamento ambiental.
O plano da secretaria é instalá-los em cabines nos Ecopontos, locais de entrega de materiais recicláveis. A Capital tem dois em funcionamento: nos bairros São Conrado e Bálsamo. “O ideal é que eles se juntem em três ou quatro para ocupar esses espaços”, recomenda Cristaldo. Cerca de cinco mil pessoas trabalham com o reaproveitamento do lixo na Capital; metade são catadores.
Verbas
Os recursos para fazer a mudança dos sucateiros devem sair do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, aprovado em agosto pelo presidente Lula. A lei que o regula prevê verbas para prefeituras aplicarem no fortalecimento da cadeia. Além disso, caberá às indústrias de transformação subsidiar fundos para desenvolver o setor.
No processo de profissionalização dos trabalhadores, cooperativas não são a melhor saída, de acordo com Cristaldo: “o pessoal apostou muitas fichas nas cooperativas, mas se não tiver muito dinheiro público elas não progridem, porque os trabalhadores são despreparados, se quebra uma esteira, o cara não resolve, bota fogo nela”.

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